Beth Goulart é só agradecimento ao público paulista, que vem lotando as sessões e ampliando os espectadores de Simplesmente eu, Clarice Lispector, que alcançou o público de 1.300.000 pessoas em 298 cidades do país, entre 2009 e 2025
Simplesmente eu, Clarice Lispector – Crédito: Lula Lopes
“Simplesmente eu, Clarice Lispector” prorroga temporada em São Paulo e completa seis meses em cartaz
O sucesso de Simplesmente eu, Clarice Lispector, espetáculo concebido, adaptado, dirigido e protagonizado por Beth Goulart, ganha novo capítulo em São Paulo. Diante da grande procura do público e de sucessivas sessões esgotadas, a montagem teve sua temporada prorrogada até 31 de outubro de 2026, completando seis meses em cartaz no Teatro Moise Safra, na Barra Funda. As apresentações acontecem às sextas-feiras, às 20h, e aos sábados e domingos, às 19h. Os ingressos para as novas datas já estão disponíveis para compra antecipada pela plataforma Sympla.
“Retornar para São Paulo com Simplesmente eu, Clarice Lispector e ter essa resposta tão positiva do público é uma grande alegria, sinal de que tanto a obra de Clarice quanto a linguagem do espetáculo dialogam muito bem com todas as gerações. Simplesmente eu, Clarice Lispector continua impactando e envolvendo o público no universo clariceano, e levar Clarice como arte viva ao palco é uma experiência de troca que só o teatro é capaz de nos oferecer. Estou muito grata e feliz por estender nossa temporada pelo sexto mês na cidade de São Paulo, cidade que tanto amo e onde iniciei minha carreira de atriz”, celebra Beth Goulart.
O retorno aos palcos com Simplesmente eu, Clarice Lispector também integra as comemorações dos 52 anos de carreira de Beth Goulart. A temporada mantém ainda a experiência imersiva no foyer do Teatro Moise Safra com a exposição inédita em São Paulo Entre Ela e Eu, dedicada ao processo de concepção do espetáculo e ao universo de Clarice Lispector, com curadoria de Beth Goulart e Ronald Teixeira.
Um espetáculo que atravessa gerações
Desde sua estreia, em 2009, Simplesmente eu, Clarice Lispector já foi assistido por mais de 1,3 milhão de pessoas em 298 cidades brasileiras. Ao longo de 16 anos de trajetória, o espetáculo se consolidou como uma das mais longevas e reconhecidas montagens dedicadas à obra de Clarice Lispector no teatro brasileiro.
Em 2025, o espetáculo passou por quatro temporadas no Rio de Janeiro e realizou novas apresentações em diferentes cidades do país, somando mais de 100 sessões e 55.490 espectadores, entre eles 22.196 jovens. Em São Paulo, a montagem volta a despertar o interesse de plateias intergeracionais, reunindo espectadores de diferentes idades e muitos estudantes.
Mais do que uma montagem teatral, Simplesmente eu, Clarice Lispector tornou-se uma experiência de aproximação entre literatura e público. Ao longo de sua trajetória, o espetáculo contribuiu para levar a obra de Clarice a novas gerações, reafirmando a força de sua literatura e a potência da palavra quando transportada para o palco.
Um mergulho no universo de Clarice Lispector
A montagem nasceu depois de dois anos de pesquisa e seis meses de preparação, período em que Beth Goulart mergulhou profundamente na vida e na obra da escritora. O resultado é um espetáculo-poema que percorre temas recorrentes na produção de Clarice, como amor, vida, morte, criação, Deus, cotidiano, palavra, silêncio, solidão, entrega, inspiração, aceitação e entendimento.
A narrativa é construída a partir de entrevistas, depoimentos e correspondências de Clarice Lispector, além de fragmentos de algumas de suas obras mais emblemáticas, entre elas Perto do Coração Selvagem, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres e os contos Amor e Perdoando Deus.
Em cena, Beth Goulart estabelece um diálogo entre Clarice e quatro personagens femininas: Joana, Lóri, Ana e uma mulher sem nome. As personagens representam diferentes momentos, sentimentos e facetas da escritora, criando uma dramaturgia que não busca apresentar uma biografia convencional, mas revelar aspectos de sua personalidade e de seu pensamento por meio de suas próprias palavras.
“Simplesmente eu, Clarice Lispector é uma ode ao amor, o sentimento mais presente e importante da obra de Clarice Lispector e, também, o mais sublime do ser humano”, afirma Beth Goulart.
Clarice em cena
A encenação transforma o palco em um espaço de encontro entre literatura, memória e experiência. A cenografia minimalista, assinada por Ronald Teixeira e Leobruno Gama, cria um ambiente essencialmente branco, que se transforma a partir da luz, dos movimentos e da presença da atriz.
A iluminação de Maneco Quinderé contribui para construir a atmosfera onírica do espetáculo, enquanto a trilha sonora original de Alfredo Sertã, inspirada em compositores como Erik Satie, Arvo Pärt e Astor Piazzolla, amplia a dimensão sensorial da montagem.
O espetáculo conta ainda com direção de movimento de Márcia Rubin, preparação vocal de Rose Gonçalves, figurino de Beth Filipecki, visagismo de Westerley Dornellas e programação visual de Carol Vasconcellos. A supervisão artística é de Amir Haddad.
A concepção da montagem foi desenvolvida por Beth Goulart a partir de uma pesquisa aprofundada sobre a escritora. Durante o processo de criação, a atriz já visualizava a estrutura do espetáculo enquanto escrevia sua adaptação. Foram seis meses de preparação e dois meses de ensaios, com a colaboração artística de Amir Haddad na etapa final.
As quatro mulheres de Clarice
A dramaturgia de Simplesmente eu, Clarice Lispector se organiza a partir de quatro personagens que ajudam a revelar diferentes aspectos da escritora.
Joana, protagonista de Perto do Coração Selvagem, representa o impulso criativo, a inquietação e a força selvagem presentes na escrita de Clarice. Foi também a primeira personagem da autora com a qual Beth Goulart se identificou, ainda na adolescência.
“Eu achava que não era compreendida. O que fazer com isso tudo dentro de mim, com esse processo criativo? Só Clarice me entendia”, lembra a atriz.
Ana, do conto Amor, representa uma mulher dedicada ao marido e aos filhos, cuja rotina é transformada por uma experiência de estranhamento e descoberta no Jardim Botânico. Para Beth, a personagem se relaciona com uma fase da própria vida de Clarice, marcada pela dedicação à família.
Lóri, de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, é uma professora primária que vive sozinha e se prepara para descobrir e se entregar ao amor. “Toda a obra de Clarice é uma ode ao amor, o sentimento mais transformador do ser humano”, afirma Beth.
A quarta personagem é uma mulher sem nome, do conto Perdoando Deus, que revela uma dimensão marcada pela ironia, inteligência e humor característicos da obra de Clarice.
“Essas quatro mulheres representam algumas facetas da própria Clarice e foram escolhidas para apresentar ao público a obra de um dos maiores nomes da literatura brasileira”, explica Beth Goulart.
Para a atriz, o processo também é pessoal: “Usando as palavras dela, eu também estou falando de mim, eu me revelo através de minhas escolhas.”
A montagem trabalha ainda conceitos recorrentes na literatura de Clarice, como o vazio, o silêncio e o chamado “instante-já”, aquele momento de revelação em que tudo parece se esclarecer.
Uma relação de longa data entre Beth Goulart e Clarice
A relação de Beth Goulart com a obra de Clarice Lispector ultrapassa a criação do espetáculo. A atriz encontrou na literatura da escritora uma identificação que atravessou diferentes momentos de sua trajetória artística e pessoal.
Ao construir a dramaturgia, Beth escolheu o amor como eixo central para apresentar Clarice ao público. A temática aparece em suas diferentes formas: o amor maternal, o amor entre parceiros, o amor a Deus, à natureza, ao próximo e à própria existência.
“Clarice falava sobre o amor maternal, o relacionamento, o amor a Deus, à natureza, ao próximo. Escolhi esse viés para apresentá-la ao público”, explica Beth.
A caracterização da personagem também segue uma proposta essencialista. A maquiagem e o figurino foram pensados para permitir que a atriz transite entre Clarice e suas personagens, mantendo uma estética marcada pela simplicidade.
“O espetáculo todo é como se fosse uma grande folha em branco a ser escrita por essas personagens, pelos movimentos, pelas ações, pelos sentimentos, pela luz”, define Beth.
Reconhecimento e premiações
O trabalho de Beth Goulart em Simplesmente eu, Clarice Lispector recebeu reconhecimento desde a estreia. A atriz foi premiada como Melhor Atriz no Prêmio Shell 2009, no APTR, na Revista Contigo e no Prêmio Qualidade Brasil, que também reconheceu a montagem como Melhor Espetáculo.
Ao longo dos anos, o espetáculo manteve sua capacidade de dialogar com diferentes gerações e aproximar o público da literatura de Clarice Lispector. A montagem não pretende explicar a escritora, mas criar uma experiência sensorial e afetiva a partir de sua palavra.
Clarice, uma das vozes mais revolucionárias da literatura brasileira do século XX, transformou situações cotidianas em experiências de descoberta e epifania. Em Simplesmente eu, Clarice Lispector, sua literatura deixa as páginas e ganha corpo, voz, luz e movimento.
O resultado é um encontro que ultrapassa a ideia de biografia. No palco, o público encontra um estado de alma e é convidado a reconhecer, nas palavras de Clarice, dúvidas, desejos, contradições e sentimentos que também fazem parte da experiência humana.
Como parte desse diálogo com a literatura, ao final de cada apresentação Beth Goulart realiza o sorteio de um livro de Clarice Lispector entre os espectadores, incentivando a leitura e ampliando a experiência para além do teatro.
Mostra “Entre Ela e Eu”
A temporada no Teatro Moise Safra também conta com a exposição Entre Ela e Eu, criada a partir da relação de Beth Goulart com a obra de Clarice Lispector. Com curadoria de Beth Goulart e Ronald Teixeira, a mostra apresenta pranchas em grandes formatos com fotografias, informações sobre a escritora, fragmentos de textos e elementos relacionados ao processo de criação de Simplesmente eu, Clarice Lispector.
A exposição aborda aspectos da vida de Clarice, curiosidades pessoais e literárias, dados biográficos e imagens de seu arquivo pessoal, cedidas por Paulo Gurgel Valente. A mostra também reúne reproduções de retratos de Clarice realizados por importantes artistas plásticos contemporâneos, revelando diferentes interpretações visuais da escritora.
“A mostra Entre Ela e Eu nasceu da inspiração que Clarice Lispector foi, e continua sendo, para mim e muitos artistas. Todos nós fomos impactados por sua obra e nos sentimos impelidos a criar a partir dessas impressões. Por isso mostraremos obras de artistas plásticos importantes sobre ela, como Carlos Scliar, Giorgio de Chirico, Ceschiatti, Dimitri Ismailovitch e Loredano”, conta Beth Goulart.
A mostra amplia a experiência do espetáculo e estabelece uma ponte entre diferentes linguagens artísticas, reforçando a presença de Clarice Lispector como fonte permanente de inspiração.
Serviço
Espetáculo: Simplesmente eu, Clarice Lispector, de Beth Goulart
Temporada: de 8 de maio a 31 de outubro de 2026
Local: Teatro Moise Safra — São Paulo/SP
Endereço: Rua Prof. Walter Lerner, 315 (antiga Rua Inhaúma), Barra Funda, São Paulo/SP
Horários: sexta-feira, às 20h; sábado e domingo, às 19h
Sessão especial com audiodescrição: domingo, 13 de setembro, às 16h
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Capacidade: 420 lugares
Ingressos: R$ 120,00 (inteira), R$ 60,00 (meia-entrada) e R$ 50,00 (social). A bilheteria do Teatro Moise Safra funciona nos dias dos espetáculos, uma hora antes de cada sessão. As vendas antecipadas estão disponíveis pela Sympla.
Telefone: (11) 96892-4562
Instagram: @teatromoisesafra e @bethgoulartoficial
Ficha técnica
Texto: Clarice Lispector
Adaptação, interpretação e direção: Beth Goulart
Supervisão: Amir Haddad
Gênero: Espetáculo-poema
Iluminação: Maneco Quinderé
Operação de luz: Diana Cruz
Trilha sonora original: Alfredo Sertã
Operação de som: Paulo Mendes
Figurino: Beth Filipecki
Camareira: Flávia Cotta
Cenografia: Ronald Teixeira e Leobruno Gama
Contrarregra: Guaraci Ribeiro
Direção de produção: Pierina Morais
Assessoria de imprensa: Silvana Cardoso E. Santo — Passarim Comunicação & Sustentabilidade
Realização: Self Produções Artísticas LTDA
