{"id":1272,"date":"2023-07-17T23:03:06","date_gmt":"2023-07-17T23:03:06","guid":{"rendered":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/?p=1272"},"modified":"2023-07-17T23:04:37","modified_gmt":"2023-07-17T23:04:37","slug":"jardinopolis-capital-da-manga-mantem-deliciosa-tradicao-de-se-comer-a-fruta-no-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/jardinopolis-capital-da-manga-mantem-deliciosa-tradicao-de-se-comer-a-fruta-no-pe\/","title":{"rendered":"Jardin\u00f3polis: \u2018Capital da Manga\u2019 mant\u00e9m deliciosa tradi\u00e7\u00e3o de se comer a fruta no p\u00e9"},"content":{"rendered":"<table width=\"801\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><i><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1274\" src=\"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed1181.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed1181.jpg 800w, https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed1181-300x168.jpg 300w, https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/unnamed1181-768x431.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/>Refer\u00eancia de exporta\u00e7\u00e3o at\u00e9 os anos 1980 e com uma produ\u00e7\u00e3o ativa at\u00e9 hoje, cidade dos \u201cbocas-amarelas\u201d tem avenida com mangueiras plantadas em toda a sua extens\u00e3o: o pomar p\u00fablico<\/i><\/p>\n<p>F\u00e1bio Gallacci<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pessoa chega e, com orgulho, se define como \u201cboca-amarela\u201d. Tenha certeza de que ela s\u00f3 pode ter vindo de um lugar: a simp\u00e1tica Jardin\u00f3polis. O munic\u00edpio de 45 mil habitantes na Regi\u00e3o Noroeste do Estado &#8211; que est\u00e1 a 331 quil\u00f4metros da Capital &#8211; \u00e9 conhecido como a \u201cCapital da Manga\u201d. A Lei Estadual 4.722\/1985, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo, oficializou esse t\u00edtulo que segue sendo defendido com empenho por produtores, grupos de preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria local e a popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a do fruto na rotina das pessoas de l\u00e1 remonta ao in\u00edcio do s\u00e9culo passado, \u00e9poca em que a manga respondia de forma importante na economia local. Novas culturas ganharam espa\u00e7o e relev\u00e2ncia \u2013 como o abacate, cana-de-a\u00e7\u00facar, milho e soja -, mas a deliciosa fruta amarelada segue presente no dia a dia e nas ra\u00edzes de quem vive ali.<\/p>\n<p>Conta a hist\u00f3ria oral que as primeiras mangas foram trazidas da Bahia pela fam\u00edlia do primeiro prefeito de Jardin\u00f3polis, Dr. Jo\u00e3o Muniz Sapucaia, na d\u00e9cada de 1890. Os caro\u00e7os dessas mangas foram plantados em um s\u00edtio, um deles vingou e da\u00ed come\u00e7ou o cultivo da fruta na cidade. Nessa \u00e9poca, os caro\u00e7os de manga tinham \u201cpre\u00e7o de ouro\u201d e eram comercializados para posterior plantio. Na cidade, as mangueiras tiveram solo f\u00e9rtil e clima ideal.<\/p>\n<p><strong>Estradas de ferro<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 na d\u00e9cada de 1910, com a fama da qualidade se espalhando, as mangas jardinopolenses passaram a ser exportadas para S\u00e3o Paulo e, de l\u00e1, para outros centros do Brasil. Tudo pelas estradas de ferro, j\u00e1 que o munic\u00edpio era cortado pelas linhas da antiga Companhia Mogiana.<\/p>\n<p>Geralmente, os exportadores arrendavam o pomar de manga de um produtor, a colhiam, embalavam com muito cuidado \u2013 e, em alguns casos, at\u00e9 mesmo em papel seda &#8211; e as remetiam para a Capital paulista, o grande centro comercial do produto. A partir de 1940, um empres\u00e1rio local criou uma transportadora espec\u00edfica para levar as mangas de Jardin\u00f3polis\/SP para S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro. Desta vez, de caminh\u00e3o. Dali pra frente, o modal rodovi\u00e1rio passou a ser a principal forma para escoar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Segredo de qualidade<\/strong><\/p>\n<p>Uma das t\u00e9cnicas da \u00e9poca para garantir a qualidade elevada do produto vindo de Jardin\u00f3polis era a colheita e o embalo das frutas com boa parte de seu talo. Eles eram removidos apenas na chegada ao destino, garantindo que as mangas permanecessem frescas durante o trajeto. Com tamanho cuidado e voca\u00e7\u00e3o, Jardin\u00f3polis despontou, na primeira metade do s\u00e9culo passado, como grande produtora e exportadora de mangas do Estado.<\/p>\n<p><strong>Av\u00f3 de Portinari<\/strong><\/p>\n<p>Curiosamente, a pessoa considerada a primeira grande exportadora de mangas de Jardin\u00f3polis \u00e9 a av\u00f3 materna do pintor Candido Portinari, dona Maria Sandri Torquato, a \u201cnonna de Jardin\u00f3polis\u201d. A atividade era importante na fam\u00edlia que o renomado pintor retratou sua av\u00f3 no of\u00edcio de encaixotar mangas. Uma reprodu\u00e7\u00e3o do desenho \u201cNonna Encaixotando Mangas\u201d, de 1956, se encontra no hall de entrada da C\u00e2mara Municipal de Jardin\u00f3polis atualmente.<\/p>\n<p>Logo depois de Maria Sandri, surgiram outros produtores e exportadores de mangas na cidade. Outro que merece destaque \u00e9 Cresc\u00eancio Avino, que herdou o of\u00edcio do pai, cuja safra de mangas de 1933 est\u00e1 retratada na mesma tela de Portinari.<\/p>\n<p>Vale lembrar que a cidade tem em sua hist\u00f3ria uma bem-vinda diversidade de povos, talvez, o mesmo esp\u00edrito que possibilitou que as primeiras mangas baianas encontrassem abrigo, espa\u00e7o e dedica\u00e7\u00e3o para se multiplicarem em terras paulistas. Formada originalmente por imigrantes italianos, portugueses, s\u00edrio-libaneses, japoneses e espanh\u00f3is, chegados ao Brasil entre o final do s\u00e9culo 19 e in\u00edcio do s\u00e9culo 20, Jardin\u00f3polis tamb\u00e9m recebeu fam\u00edlias advindas das regi\u00f5es Norte, Nordeste e outras cidades do Sudeste brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Boca amarela<\/strong><\/p>\n<p>A fama de produzir mangas inigual\u00e1veis fez com que os moradores da cidade ficassem conhecidos como \u201cboca-amarela\u201d. Mesmo com o passar do tempo, ainda se usa esse termo quando se deseja indicar algo que seja genuinamente jardinopolense.<\/p>\n<p>E n\u00e3o para por a\u00ed. Realizada anualmente a partir de 1973 \u2013 at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1990 \u2013 a Festa Municipal da Manga marcou \u00e9poca e era momento importante no calend\u00e1rio oficial do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Ainda no auge da produ\u00e7\u00e3o, em 1986, foi implantada no plano vi\u00e1rio da cidade a Avenida das Mangueiras, com \u00e1rvores da fruta plantadas em toda a sua extens\u00e3o. Hoje, a via e o seu prolongamento t\u00eam o nome Prefeito Newton Reis. O lugar \u00e9 frequentado diariamente pela popula\u00e7\u00e3o para a pr\u00e1tica de atividades esportivas, como como caminhada e ciclismo. Mesmo com seu nome original modificado, alguns h\u00e1bitos n\u00e3o mudam nunca: em \u00e9poca de produ\u00e7\u00e3o de mangas, \u00e9 muito comum ver pessoas colhendo as frutas neste lugar. Como era de se esperar, e celebrar, a avenida se transformou em um grande pomar p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>Hino, bras\u00e3o e o Manguito<\/strong><\/p>\n<p>O cultivo da manga \u00e9 t\u00e3o marcante em Jardin\u00f3polis que a fruta aparece at\u00e9 mesmo no hino da cidade. Sua letra apresenta a cidade como \u201cCapital da Manga, com louvor\u201d. Uma manga tamb\u00e9m foi inserida no Bras\u00e3o de Armas do Munic\u00edpio, representando a \u201cdel\u00edcia da fruta tropical, nativa em nossa terra e respons\u00e1vel por grande parte da economia de nosso Munic\u00edpio\u201d.<\/p>\n<p>Para as crian\u00e7as de todas as idades, na d\u00e9cada de 1990, foi criado o mascote do munic\u00edpio, o \u201cManguito\u201d, presente em eventos realizados pela Prefeitura. Esta foi mais uma forma de valorizar o fruto que alimentou a economia e as tradi\u00e7\u00f5es da acolhedora popula\u00e7\u00e3o de Jardin\u00f3polis por tantas d\u00e9cadas. Saiba mais sobre Jardin\u00f3polis pelo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@descobrindojardinopolis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/www.youtube.com\/@descobrindojardinopolis&amp;source=gmail&amp;ust=1689719564383000&amp;usg=AOvVaw37CHGeSZNvhvENFYOQEtY1\">https:\/\/www.youtube.com\/@<wbr \/>descobrindojardinopolis<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DEL\u00cdCIA LOCAL<\/strong><\/p>\n<p>Receita de Doce de Manga (receita da jardinopolense d. Maria Rueda)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O tipo de manga adequado para essa receita \u00e9 o &#8220;cora\u00e7\u00e3o&#8221; e fruta deve estar madura;<\/p>\n<p>1. Descasque e cozinhe a quantidade de frutas que quiser;<\/p>\n<p>2. Depois de cozidas, passe as frutas ainda mornas em uma peneira \u201cde nylon\u201d;<\/p>\n<p>3. Coloque a massa em um tacho ou panela;<\/p>\n<p>4. Para cada prato (comum, de jantar) de massa, adicione um prato de a\u00e7\u00facar;<\/p>\n<p>5. Cozinhe em fogo baixo e mexa sem parar por 1h30;<\/p>\n<p>6. O doce pronto ficar\u00e1 \u201cvidradinho\u201d, despeje-o em uma vasilha quadrada ou retangular. No dia seguinte, o doce estar\u00e1 prontinho para ser saboreado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Obs: meia caixa pl\u00e1stica (de colheita) de \u201cmangas cora\u00e7\u00e3o\u201d rende cerca de 6kg de doce pronto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Obs: Na terra dos \u201cbocas-amarelas\u201d, a temporada do doce de manga come\u00e7a em outubro.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"entry-summary\">\nRefer\u00eancia de exporta\u00e7\u00e3o at\u00e9 os anos 1980 e com uma produ\u00e7\u00e3o ativa&hellip;\n<\/div>\n<div class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/jardinopolis-capital-da-manga-mantem-deliciosa-tradicao-de-se-comer-a-fruta-no-pe\/\" class=\"more-link\">Continue reading<span class=\"screen-reader-text\"> &ldquo;Jardin\u00f3polis: \u2018Capital da Manga\u2019 mant\u00e9m deliciosa tradi\u00e7\u00e3o de se comer a fruta no p\u00e9&rdquo;<\/span>&hellip;<\/a><\/div>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,2],"tags":[],"class_list":["post-1272","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eventos","category-receitas","entry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1272"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1272\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1275,"href":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1272\/revisions\/1275"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/dicadeteatro.com.br\/receitasculturais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}