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Espetáculo de dança, A Bailarina Fantasma, com Verônica Santos, no Sesc Avenida Paulista Com encenação e instalação cênica de Wagner Antônio e dramaturgia de Dione Carlos, apresentações acontecem de 5 a 8 de fevereiro

Acontecem de 5 a 8 de fevereiro

Foto: Noelia Najera

A Bailarina Fantasma é uma peça-instalação criada a partir da icônica e polêmica escultura francesa ‘A Bailarina de 14 anos’, do escultor Edgar Degas (1834-1917), em fricção com os relatos autobiográficos da bailarina brasileira Verônica Santos. Apresentações nos dias 5, 6, 7, e 8 de fevereiro, de quinta a domingo, no Sesc Avenida Paulista.

Com encenação e instalação cênica de Wagner Antônio e dramaturgia de Dione Carlos, o espetáculo revela um corpo fraturado por violências físicas e simbólicas e também por tentativas de apagamento da visibilidade de uma bailarina clássica negra.

A obra propõe uma espacialidade imersiva na qual a performer e a dramaturga ritualizam um diálogo íntimo e, diante do público, elaboram um plano de vingança.

A Bailarina Fantasma foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro (2024) na categoria de Melhor Cenário; ao Prêmio APCA (2024) nas categorias de Melhor Espetáculo e Intérprete; e foi vencedora na categoria de Melhor Espetáculo no XII Prêmio Denilto Gomes de Dança (2025), da Cooperativa Paulista de Dança. A obra também foi destaque na programação da Mostra Abril pra Dança (2025), da Secretaria de Cultura da cidade de São Paulo e integrou o Festival Internacional Cena Contemporânea de Brasília e a Bienal Sesc de Dança 2025.

Saiba mais

A partir de um pensamento curatorial articulado por Fernando Gimenes, idealizador do projeto, A Bailarina Fantasma reúne artistas brasileiros com fortes traços autorais como Dione Carlos na dramaturgia, Wagner Antônio na encenação, iluminação e criação da instalação cênica, Natália Nery na trilha sonora original executada ao vivo em piano, Rafael Costa na mediação artística-psicanalítica para o levantamento da biografia e composição da dramaturgia, além da própria Verônica Santos. O espetáculo revela, em uma ‘peça-instalação’ (conceito e pesquisa de longa data do encenador junto ao Grupo 28 Patas Furiosas), os bastidores do universo da dança clássica e da escultura que virou um marco na história da arte moderna.
Degas tinha grande interesse por bailarinas, tema de mais da metade de suas duas mil obras, em que retratava o corpo de balé da Ópera de Paris em palco, ensaios e momentos de descanso. Na Ópera, ele conheceu Marie van Goethem, uma estudante de balé de 13 anos, que posou para sua escultura “A Bailarina de 14 Anos”, exposta em 1881. A obra, inovadora ao usar cera, cabelo real e tecido, recebeu críticas por parecer estranha e animalesca, mas se tornou icônica, com 28 cópias em bronze em museus renomados como o Museu d’Orsay e o MASP.
Sobre as réplicas em bronze, como foram feitas em um material que escurece quando exposto à ação do tempo, muitas pessoas pensam que a bailarina real retratada na obra original era uma jovem negra. O que ao longo dos anos gerou diversos atos de cunho racista sobre a obra, chegando a nomearem como ‘A Pequena Macaca de 14 anos’

Para Verônica, que cresceu em uma família preta e periférica, o balé foi uma oportunidade de educação, mas sua formação no ambiente foi desafiadora. “Passei anos em salas de balé, pois meus pais viam nisso uma chance de sociabilização,” afirma, ressaltando a busca por uma linguagem que represente suas vivências e subjetividade.

Para Dione Carlos, dramaturga de A Bailarina Fantasma, o espetáculo é um ritual de libertação do corpo. “Queremos mostrar uma mulher renascendo. E como tenho investigado o poder do erotismo, principalmente quando falamos em corpos subalternizados, tenho construído uma espécie de quilombo-erótico-místico nos meus projetos”, explica a dramaturga. Verônica e Dione dialogam e planejam uma vingança, mas contra o colonialismo, contra o sistema, contra o racismo. É um plano de vingança subjetivo e poético, compartilhado com a plateia.
O público acompanha a cena de forma livre, sem lugares fixos. A intérprete e a equipe técnica guiam os espectadores por um ambiente imersivo que oferece uma atmosfera intimista na instalação de Wagner Antônio.

“Para mim, essa bailarina fantasma também é a memória corporal da primeira diáspora da humanidade, que foi a saída de África. Com esse espetáculo eu gostaria de resgatar essa nossa vocação para a dança”, completa Dione.

Ficha técnica:

Idealização: Plataforma – Estúdio de Produção Cultural e Fernando Gimenes
Encenação e instalação cênica: Wagner Antônio
Atuação: Verônica Santos
Dramaturgia: Dione Carlos
Pianista: Natália Nery
Diretora Assistente: Isabel Wolfenson
Mediação Artística-Psicanalítica: Rafael Costa
Equipe técnica performativa: Lucas JP Santos e Guilherme Zomer
Desenho de som: Guilherme Zomer
Direção de Produção: Fernando Gimenes
Assistente de Produção: Bruno Ribeiro
Administração: Mava Produções Arísticas
Pesquisa de materiais: Micaela Wernicke
Maquiagem de Cena: Amanda Mantovani
Designer Gráfico: Murilo Thaveira
Fotos: Helton Nóbrega e Noelia Nájera
Redes Sociais: Jorge Ferreira

Serviço

dança | A Bailarina Fantasma
com Verônika Santos 
Dias: 5, 6, 7 e 8 de fevereiro. Quinta, Sexta e sábados, às 20h. Domingos, às 18h.
Onde: Arte II (13º andar)
Duração: 75 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (Meia) e R$ 15 (Credencial plena:).

 

SESC AVENIDA PAULISTA
Avenida Paulista, 119, Bela Vista, São Paulo
Fone: (11) 3170-0800
Transporte Público: Estação Brigadeiro do Metrô – 350m
Horário de funcionamento da unidade:
Terça a sexta, das 10h às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h30.


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