TEATRO – Premiado no RJ Se Eu Fosse Iracema faz apresentações gratuitas no Itaú Cultural

COM APRESENTAÇÕES NO ITAÚ CULTURAL

SE EU FOSSE IRACEMA ABORDA A QUESTÃO

INDÍGENA PARA FALAR DAS DIFERENÇAS

 

Premiado como melhor figurino – assinado por Luiza Fardin –

nos prêmios Shell de Teatro, Cesgranrio e APTR do Rio de Janeiro,

monólogo tem direção de Fernando Nicolau, dramaturgia de

Fernando Marques e interpretação de Adassa Martins

 

 

Uma carta escrita pelos índios guarani kaiwoá, em 2012, despertou o interesse do diretor Fernando Nicolau para a condição indígena no país. No texto, pediam que sua morte fosse decretada, em vez de tirarem sua terra. Sensibilizado, convidou o dramaturgo Fernando Marques e a atriz Adassa Martins para mergulharem numa densa pesquisa. Juntos, iniciaram o processo de criação do monólogo SE EU FOSSE IRACEMA, que faz duas apresentações gratuitas nos dias 1º e 2 de maio, segunda e terça-feira, às 20 horas, no Itaú Cultural, em São Paulo.

 

Sucesso de público e crítica, SE EU FOSSE IRACEMA fez duas temporadas na capital carioca, onde estreou em abril de 2016 e uma temporada com ingressos esgotados no início de 2017 no Sesc Ipiranga, na capital paulista. Vencedor dos prêmios Shell de Teatro, Cesgranrio e APTR do Rio de Janeiro de melhor figurino, a peça, que propõe um olhar sobre o universo indígena brasileiro, transitando entre a tradição e a sua situação atual, também teve indicações de melhor atriz para Adassa Martins (prêmios Shell e APTR) e melhor autor para Fernando Marques (prêmio APTR).

 

Para o diretor Fernando Nicolau, a montagem tem a intenção de fazer uma reflexão: branco, mestiço, índio e ocidental é possível coexistir? Abordando a questão indígena no Brasil, a montagem pretende examinar a possibilidade de convivência das diferenças. “As contradições estão presentes em diversos relatos e textos documentais que usamos na concepção”, conta ele. “É uma honra a possibilidade de falar sobre este assunto, de ecoar essas vozes tão caladas desde 1500. Olhamos tão pouco para os índios, e as questões permanecem as mesmas até hoje”, destaca a atriz Adassa Martins.

 

Mitos e ritos

SE EU FOSSE IRACEMA tem início com a figura do pajé – pessoa que representa a sabedoria, de extrema importância na tribo – e traz Adassa interpretando um texto em guarani inspirado no cacique Raoni, que participa do documentário Belo Monte, anúncio de uma guerra, de André D’Elia.

 

A dramaturgia une mitos e ritos de passagem, não necessariamente de forma linear. “Escolhemos trabalhar o ciclo da vida: a origem do mundo, a infância, a adolescência, a fase adulta na figura da mulher e o ancião, na figura do pajé chegando ao fim do mundo”, explica o diretor. Alguns trechos foram traduzidos para o guarani pelo cineasta indígena Alberto Álvares. Para dar voz a alguns personagens, Adassa desenvolveu uma interlíngua: “ouvi os pajés e diversos índios falando em documentários e percebi os fonemas mais presentes. A ideia é criar uma fusão do português com uma língua indígena”, conclui a atriz.

 

Cenário e figurino

No cenário de Licurgo Caseira, apenas um elemento cênico representa a natureza e a ação devastadora do homem sobre ela. O figurino de Luiza Fardin não faz um retrato carnavalesco da cultura indígena. Usando materiais como látex e borracha, o figurino revela a miscigenação do povo brasileiro. A trilha sonora original de João Schmid pontua diversos momentos do espetáculo.

 

Fernando Nicolau e Fernando Marques são capixabas e se conheceram em Vitória, no Espírito Santo, onde o diretor teve aula de teatro com o dramaturgo. Juntos, participaram de diversos processos de pesquisa e criação cênica, construindo uma trajetória comum.

 

SE EU FOSSE IRACEMA teve como inspiração e referência filmes como Índio cidadão?, de Rodrigo Siqueira; Belo Monte, anúncio de uma guerra e A lei da água, ambos de André D’Elia. Recém-lançado no Brasil, o livro francês A queda do céu – Palavras de um xamã yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, também foi uma importante referência tanto para o autor quanto para o diretor. Obras de Darcy Ribeiro, Alberto Mussa, Betty Mindlin e Manuela Carneiro da Cunha também fizeram parte do processo, assim como encontros e entrevistas com estudiosos. “A variedade de referências foi fundamental porque não queríamos falar sobre uma ou outra etnia, mas buscamos um olhar abrangente sobre os povos originários, que são muitos e diversos”, completa Fernando Marques.

 

 

Sobre Adassa Martins

Atriz indicada aos Prêmios Shell e APTR pelo monólogo Se eu fosse Iracema (2016), graduada em Artes Visuais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ e integrante da companhia carioca Teatro Inominável, dentro da qual investiga relações entre teatro e performance. Atuou em montagens de destaque: A Santa Joana dos Matadouros (2015), direção de Diogo Liberano e Marina Vianna; Contra o Vento, um Musicaos (2015), direção de Felipe Vidal e texto de Daniela Pereira de Carvalho; Ensina-me a Viver (2015), texto de Coling Higgins, e direção de João Falcão e Temporada de Verão (2014), direção de Renato Livera e texto de Jô Bilac. Dentre os diretores com os quais trabalhou, destacam-se ainda Claude Buchvald (França), Paula Baró e Christian Cutró (Argentina) e Donnie Mather (Estados Unidos).

 

Sobre Fernando Nicolau

Artista da cena e visual. Formado pela Casa das Arte de Laranjeiras CAL (RJ) e pela Escola de Teatro e Dança FAFI (ES) como ator. Participou de workshops com Gerald Thomas, Enrique Diaz, Duccio Bellugi-Vannuccini (Théâtre du Soleil), Denise Stoklos, Jefferson Miranda, Felipe Vidal, Ole Erdmann, Regina Miranda e com professores da Escola de Circo de São Paulo. Sua primeira direção ocorreu em novembro de 2012 no espetáculo de teatro-dança Capivara na luz trava, que fez curta temporada no Rio de Janeiro, além de participar do Festival Internacional de Londrina e do Festival Internacional de Dança de Recife, em 2013.

 

Sobre Fernando Marques

Dramaturgo, diretor e ator. Integra o Grupo Z de Teatro desde sua fundação, em 1996. Seus trabalhos mais recentes são Vizinhos, recém-estreado e Insone, contemplado pelo Prêmio Funarte Klauss Vianna que circulou nacionalmente pelo Palco Giratório. Com o Z, já montou Incessantemente – também Prêmio Klauss Vianna, e O grande circo ínfimo e Dom Casmurro – ambos Prêmio Funarte Myriam Muniz entre outros. Trabalhou como dramaturgo e diretor, a convite de companhias como a Quorum Cia de Dança, Grupo Beta de Teatro, Grupo Quintal de Teatro e Companhia do Outro.

 

 

Para roteiro:

 

SE EU FOSSE IRACEMA – Dias 1º e 2 de maio, segunda e terça-feira, às 20 horas, no Itaú Cultural. Intérprete – Adassa Martins. Dramaturgia – Fernando Marques. Direção – Fernando Nicolau. Iluminação e Cenografia – Licurgo Caseira. Figurino e Caracterização – Luiza Fardin. Trilha Sonora Original e Desenho de Som – João Schmid. Preparação Vocal – Ilessi. Direção de Arte da Comunicação Visual e Projeto Gráfico – Fernando Nicolau. Escultura do Busto – Bruno Dante. Fotografia – Imatra. Caracterização das Fotos – Luiza Fardin. Assistente de Direção – LuCa Ayres. Assistente de Figurino – Higor Campagnaro. Cenotécnico – André Salles. Aderecista – Derô Lopes. Operação de Luz – Ricardo Lyra Jr. Produção Executiva – Clarissa Menezes. Produção e Realização – 1COMUM. Idealização – Fernando Nicolau e Fernando Marques. Duração – 60 minutos. Recomendado para maiores de 14 anos. GRATIS (retirada de ingressos – público preferencial: duas horas antes do espetáculo, com direito a um acompanhante e público não preferencial: uma hora antes do espetáculo, um ingresso por pessoa). O espetáculo conta com tradução simultânea em Libras.

 

ITAÚ CULTURAL – Sala Itaú Cultural – Avenida Paulista, 149 (próximo a estação Brigadeiro do Metrô). Telefone – (11) 2168-1776/ 1777. Capacidade – 247 lugares. Acesso para deficientes físicos. Ar condicionado. www.itaucultural.org.br

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