Exposições

Instalação artística Barragem///SP reproduz cenário apocalíptico na Oswald de Andrade

Exposição gratuita de coletivo de arquitetos, cenógrafos e

artistas plásticos começa dia 14 com performance sonora

Um caos urbano, São Paulo rodeada por uma barragem de concreto, após uma enorme inundação, é o cenário da instalação artística Barragem///SP, criada sob a supervisão de um coletivo formado por cinco profissionais das áreas de arquitetura e urbanismo, cenografia e design, performance e música – Nivaldo Godoy, Élcio Miazaki, Marcos Martins Lopes, Panais Bouki e André Lenz. A abertura da exposição gratuita, que vai ocupar dois espaços da Oficina Cultural Oswald de Andrade (a Sala 28, no 1º andar, e a Casinha, edícula nos fundos do prédio principal), será dia 14 de setembro, quinta,  19h. Na sequência, será apresentada a performance sonora, Rádio///, com o artista transmídia Nivaldo Godoy, no sintetizador e teclados, e com a multi-instrumentista Ana Eliza Colomar (flauta e cello), reproduzindo sons de água e de máquinas, intercalados com fragmentos de melodias e discursos políticos. A mostra, que dialoga com o universo proposto por outras distopias como 1984 (1949), de George Orwell, e Fahrenheit 451 (1953), de Ray Bradbury, segue até dia 28 de outubro.

Na Sala 28, a instalação Escritório Fantasma reproduz um observatório desativado, com maquetes, mobiliário, televisores e painéis que simulam sobras de projetos urbanos tecnocráticos. A cenografia, que remete à pós-catástrofe de São Paulo, onde a chuva e a inundação são ininterruptas, é do artista gráfico e designer editorial André Lenz, que produziu também os mapas ficcionais (montagem digital e impressão de reproduções de mapas da cidade em diferentes épocas).

No centro da sala está a maquete da cidade totalmente alagada. Uma caixa de madeira (de 1m X 1m), apoiada sobre uma base de metal, guarda seis camadas de acrílico transparente sobrepostas, com colagens de mapas e edificações tridimensionais representativas de Sampa moldadas em argila e madeira. A ideia do autor, o arquiteto Nivaldo Godoy, é a possibilidade de ver a cidade através das camadas separadas, como num esquema arqueológico tridimensional.

“A partir da discussão gerada pela situação ficcional proposta pelo projeto foi pensado quais os lugares, monumentos e edifícios seriam preservados das águas; e quais os critérios e valores utilizados para as escolhas. A partir da eleição dos lugares, foram discutidas e apresentadas soluções arquitetônicas e técnicas, com o olhar artístico de diferentes linguagens”, explica o arquiteto e artista transmídia, Nivaldo Godoy, responsável pela concepção e coordenação da Barragem///SP.

Em parceria com o cenógrafo designer 3D Panais Bouki, ele fez a obra TV///, com 12 televisores que passam antigas transmissões e propagandas da TV brasileira. As imagens foram recortadas e editadas sob logotipos e vinhetas ficcionais. A dupla de artistas desenvolveu quatro canais de programação fictícios: o oficial, com imagens de operários e da barragem em construção; um místico; outro com entretenimento (cenas de parques aquáticos, mergulho e competições de nado); e o Canal 04, com imagens do sistema de câmeras de vigilância da cidade inundada.

Deslocamento massivo

Uma das propostas do coletivo é despertar reflexão sobre as mudanças climáticas e o manejo inconsequente dos recursos naturais. Um acontecimento particularmente emblemático e que faz parte do contexto da instalação artística é o rompimento da barragem da Samarco, em Mariana, Minas Gerais, em novembro de 2015. Em um cenário que se aproxima do imaginário ficcional, casas e pessoas foram soterradas por um deslocamento massivo de água e lama.

Em sua visão em perspectiva da cidade barrada, o artista plástico e arquiteto Marcos Martins Lopes criou a pintura/instalação Tótens da Barragem. Com 3 metros de altura, em chapa de madeira recortada sobre suporte de metal, a obra ocupa duas faixas verticais da Sala 28.

Na edícula, na área externa da Oswald de Andrade, está instalada a obra Casa Alagada, do arquiteto e artista visual Élcio Miazaki. Nela são usadas lâmpadas tubulares fixadas sobre uma estrutura em ferro suspensa, contendo internamente dois aquários de água mineral. “A instalação remete a uma gaiola ou lustre de frigorífico. Gaiolas sem pássaros e aquários sem peixes são uma forma de representar o quanto corremos o risco de gerarmos locais inertes e inóspitos”, diz o autor.

No dia 21 de outubro, sábado, das 15h às 18h, será promovida uma Conversa Aberta ao público com os artistas e participantes que contarão sobre o processo de trabalho e a construção da exposição. Inspirados em situações extremas, o coletivo de artistas faz questionamentos sobre como a sociedade atualizaria parâmetros já problematizados: justiça e direitos, desigualdade e privilégios vindos de condição financeira. Numa hipotética SP alagada, haveria acesso a mínimas condições de vida a todos? 

O projeto foi contemplado pelo edital Proac nº 40/2016 – de Artes Integradas.

http://barragemsp.tumblr.com/coletivobarragem

Site: http://barragemsp.tumblr.com/

Facebook: https://www.facebook.com/barragemsp/

Breves perfis

 

André Lenz (São Paulo/SP) – artista gráfico e designer editorial

Com bacharelado em Artes Plásticas e mestrado em Comunicação e Semiótica (PUC-SP, 2004), desde 1996 desenvolve projetos gráficos para livros e impressos, sinalização para mostras e produção de exposições para instituições e artistas. Entre 2000 e 2002 foi responsável pela programação visual das mostras do programa Temporada de Projetos e das exposições apresentadas no Paço das Artes, São Paulo.

Élcio Miazaki (São Paulo/SP) – arquiteto artista visual

Graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP (2000), dedica-se à realização de projetos que lidem com extensões de corpos e experimentações com tramas, bem como a pesquisa das formas, materiais e limites dos suportes. Como tema, aborda a memória, o patrimônio, o cotidiano, camuflagens e ausências. Atualmente faz parte do grupo de acompanhamento artístico do Espaço Hermes sob a coordenação de Marcelo Amorim.  https://jardimdohermes.com/elcio-miazaki/

https://www.sites.google.com/site/elciomiazaki/

Marcos Martins Lopes (São Paulo/SP) – arquiteto artista plástico

Artista plástico graduado em Arquitetura pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (1985), especialista em História da Arte pela Faap – Faculdade Armando Álvares Penteado (2006) e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2016). É professor da disciplina Plástica e Desenho de Expressão no curso de Arquitetura e Urbanismo, do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, com Takashi Fukushima e Jacques Jesion.

 

Nivaldo Godoy (São Paulo/SP) – concepção, arquiteto artista visual, audiovisual e transmídia

Graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (2001), paralelamente desenvolve projetos artísticos. Entre eles os livros PALAVRACIDADE, um diálogo de criação entre duas linguagens distintas – a literária e a arquitetônica – projeto contemplado com o prêmio da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo ( http://www.nivaldogodoy.com/PALAVRACIDADE-Livro) e VÍTREOFORMAS (http://www.nivaldogodoy.com/VITREOFORMAS-Livro-objeto)

 

Panais Bouki São Paulo/SP – cenógrafo designer 3D

Atuante nas áreas de planejamento, criação e desenvolvimento de projetos de cenografia e modelagem 3D para escritórios de arquitetura, artistas independentes, produtoras de conteúdo e agências de criação. Cria utilizando ferramentas de modelagem 3D, softwares de animação e design gráfico. Nas artes, dedica-se a projetos audiovisuais autorais em parceria com Nivaldo Godoy.

Serviço

Exposição Barragem///SP. Abertura – 14 de setembro, às 19h, com vernissage e performance sonora Rádio///, às 19h30 (duração 30 minutos). Visitação: segunda a sexta, das 9h às 21h; sábado, das 10h às 18h, até 28 de outubro. Oficina Cultural Oswald de Andrade. Sala 28 (no 1º andar) e Casinha (no térreo, nos fundos do edifício principal). Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo. Telefone: (11) 3221-4704. Grátis. oswalddeandrade@oficinasculturais.org.br www.oficinasculturais.org.br

Conversa Aberta Barragem///SP, com o coletivo de artistas Nivaldo Godoy, Élcio Miazaki, Marcos Martins Lopes, Panais Bouki e André Lenz. 21 de outubro, sábado, das 15h às 18h. Auditório da Oficina Cultural Oswald de Andrade. Aberto ao público. 30 vagas.

Link para download de teaser da exposição Barragem///SP:

https://we.tl/uK8Kr54P08

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