teatro

Guanabara Canibal, com Aquela Cia., estreia dia 20/01 no Sesc 24 de Maio

Sesc 24 de Maio recebe estreia de Guanabara Canibal, terceiro espetáculo da ‘trilogia da cidade’, da Aquela Cia.

 

Temporada inédita em São Paulo, acontece de 20 de janeiro a 18 de fevereiro, com direção de Marco André Nunes e texto de Pedro Kosovski; a peça investiga o surgimento da cidade do Rio de Janeiro e leva para o palco a discussão sobre a questão indígena atualmente.

Foto: Julio Ricardo

O Sesc 24 de Maio estreia em janeiro o espetáculo Guanabara Canibal, com a Aquela Cia., terceira obra da trilogia sobre a história da cidade do Rio de Janeiro, que teve início com as peças Cara de Cavalo e Caranguejo Overdrive. A peça Guanabara Canibal será apresentada na Unidade de 20 de janeiro a 18 de fevereiro, com ingressos que vão de R$ 9 a R$ 30.

 

Uma primeira questão pode ser colocada para dar início ao tema da peça: “Além de palavras de origem tupi como Guanabara, Maracanã, Ipanema e carioca, o que mais restou de registro da presença dos índios no Rio de Janeiro?”. Em 1567, a Batalha de Uruçumirim, liderada por Mem de Sá, exterminou as tribos indígenas que ali viviam. Após 450 anos, o diretor Marco André Nunes e o dramaturgo Pedro Kosovski, pesquisaram as raízes da fundação da cidade do Rio de Janeiro para criarem este espetáculo que tem em cena Carolina Virguez e Matheus Macena – que atuaram em Caranguejo Overdrive e receberam indicações a diversas premiações de teatro, sendo Carolina vencedora como Melhor Atriz dos prêmios Shell, APTR e Questão de Crítica, ao lado João Lucas Romero, Reinaldo Junior e Zaion Salomão.

 

Guanabara Canibal

Guanabara Canibal dá continuidade à investigação cênica e dramatúrgica da história da cidade do Rio de Janeiro, que teve início com o espetáculo Cara de Cavalo, em 2012, sobre a extinta favela do Esqueleto, atual UERJ, nos anos 60; e seguiu com Caranguejo Overdrive, em 2015, sobre o antigo mangue que foi aterrado no final do século XIX, atual Praça XI.

 

Nesta nova peça, a Aquela Cia. retorna às origens ao olhar para a fundação da cidade, tendo como referência para a construção da dramaturgia a literatura quinhentista, que inclui os relatos dos cronistas franceses Jean de Lery e André Thevet, que acompanharam a formação da colônia França-Antártica, no Rio de Janeiro, e o poema De Gestis Mendi de Saa (Feitos de Mem de Sá), do padre José de Anchieta, que narra a ofensiva portuguesa contra os tupinambás e ocupação francesa na cidade.

 

“A pesquisa feita para a criação de Cara de Cavalo e Caranguejo Overdrive nos estimulou a continuar a investigação acerca da nossa própria história. Ao reler O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro, me deparei com um poema de José de Anchieta sobre os feitos de Mem de Sá durante as batalhas que dizimaram várias aldeias tupinambás e consagraram o domínio de Portugal sobre o nosso território”, lembra Marco André Nunes. “Além do poema, outros documentos históricos sobre a batalha revelam um passado de guerra e violência”.

 

A dramaturgia de Pedro Kosovski, assim como nos trabalhos anteriores, apoia-se nessa paisagem histórica para narrar questões urgentes para atualidade e rever criticamente nosso passado, “o modo como nos relacionamos com nossa memória coletiva e a nossa história é quase sempre predatório e submisso às versões oficiais. Havia cerca de oitenta aldeias indígenas no entorno da baía da Guanabara, uma população com milhares de habitantes: onde estão os monumentos e as narrativas sobre a intensa vida nesse território antes da sua colonização?”, questiona-se Kosovski.

 

Antes da fundação do Rio de Janeiro, a terra era de domínio de tribos indígenas, que apesar de rivais, falavam a mesma língua e tinham costumes semelhantes, como o ritual de canibalismo: por vingança, a tribo capturava um rival e este passava a conviver com eles até o dia de sua execução, que era visto por todos como uma morte digna. Diferente do que aconteceu com a chegada dos portugueses, na Batalha de Uruçumirim, travada nas águas da Guanabara, na altura do Outeiro da Glória, expulsaram os franceses do território e exterminaram os índios que ali viviam. “Foi como uma força de ocupação, um exército invadindo uma terra que não lhe pertence”, ressalta o diretor.

 

Assim como nos espetáculos anteriores, a música está sempre presente na cena, na direção musical de Felipe Storino. Em versões acústica, eletrônica, com coro, percussão, piano, microfones e tecnologia. Também compõem a encenação elementos primários como terra, água, farinha e pó de urucum.

 

 

Aquela Cia.

Em 2005, Marco André Nunes e Pedro Kosovski fundaram a Aquela Cia. e vêm desenvolvendo, ao lado de outros artistas, uma linguagem cênica própria e uma dramaturgia inédita. Entre as encenações mais recentes, destacam-se “Outside: um musical noir” (2011), indicado aos prêmios Shell, APTR e Questão de Crítica; “Cara de Cavalo” (2012), indicado aos prêmios Shell Questão de Crítica; “Edypop” (2014), indicado aos prêmios Questão de Crítica e Cesgranrio e “Laio e Crísipo” e “Caranguejo Overdrive” premiado em diversas categorias do Shell, APTR, Cesgranrio e Questão de Crítica.

 

Ficha Técnica

Direção: Marco André Nunes

Texto: Pedro Kosovski

Atores: Carolina Virguez, Matheus Macena, Reinaldo Junior, João Lucas Romero e Zaion Salomão

Direção Musical: Felipe Storino

Iluminação: Renato Machado

Instalação Cênica: Marco André Nunes e Marcelo Marques

Figurino: Marcelo Marques

Visagismo: Joseff Cheslow

Produção Executiva: Aline Mohamad | MS Arte & Cultura

Produção Geral: Núcleo Corpo Rastreado

Idealização: Aquela Cia.

 

 

Serviço

 

Guanabara Canibal

Datas: 20 de janeiro a 18 de fevereiro de 2018

Horários: sextas, 21h; sábados, 18h e 21h (exceto dia 20, apenas às 21h), domingos, 18h, feriados: quinta, 25 de janeiro, 14h e 18h; 12 e 13 de fevereiro (segunda e terça), 18h.

Local: Teatro – 1º subsolo (216 lugares)

Ingressos: R$ 30 (inteira); R$ 15 (meia: estudante, servidor de escola pública, + 60 anos, aposentados e pessoas com deficiência); R$ 9 (credencial plena: trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes).

Ingressos à venda a partir de 19/12, às 18h, no portal sescsp.org.br e 20/12, às 17h30, nas bilheterias das unidades da rede Sesc SP. Venda limitada a 4 ingressos por pessoa.

Duração: 80 minutos

Classificação: 14 anos

 

 

 

SESC 24 DE MAIO

Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo

Fone: (11) 3350-6300

 

Horário de funcionamento da unidade:

Terça a sábado, das 9h às 21h.

Domingos e feriados, das 9h às 18h.

 

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