teatro

Grupo Redimunho de Teatro encena novo espetáculo nos porões do Hotel Cambridge “SIETE GRANDE HOTEL: A Sociedade das Portas Fechadas”

Depois dos premiados espetáculos: “A Casa” (APCA 2006), “Vesperais nas Janelas” (Prêmio QUEM Acontece 2008), “Marulho: O caminho do rio…” (APCA 2011) e “Tareias: Atrás do vidro verde têm um mundo que não se vê” (2013-2015) o Grupo Redimunho de Investigação Teatral comemora 13 anos de pesquisa cênica representando seu novo trabalho:

SIETE GRANDE HOTEL:

A Sociedade das Portas Fechadas

Estreia 10 de Setembro de 2017, às 19h

** Fotos de Katia Kuwabara **

Temporada de 10 de Setembro a 18 de Dezembro Domingos, às 19h e Segundas-feiras, às 20h

Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) | R$ 5 para moradores do entorno
120 min. 14 anos. 30 lugares.
Ingressos Limitados – Reservas pelo telefone: 9.7541.7077

O espetáculo têm inicio no Espaço Redimunho de Teatro, localizado na Rua Álvaro de Carvalho, 75, no Anhangabaú e o segundo ato acontece nos porões

do Hotel Cambridge, parceiro do Grupo nesse novo projeto.

(Fachada do Hotel Cambridge na Avenida Nove de Julho, no Anhangabaú)

SIETE GRANDE HOTEL

UM ITINERÁRIO À GUISA DE TESTEMUNHO

Sempre palmilhado pelo horizonte da travessia, uma vez mais o Grupo Redimunho expõe a substância do seu teatro em meio a um novelo de estórias, interrogações e potentes fragmentos de um mundo cujo rosto se perdeu ou não podemos reconhecer. De perdidos e achados também se compõe a narrativa de labirintos que o novo espetáculo Siete Grande Hotel: A Sociedade das Portas Fechadas apresenta. Chamamos labirintos não porque sejam tortuosos e destinados aos tantos muros sem-saída do nosso tempo, mas porque traçam, ou refundam, o sinuoso caminho dos rios ao alimentar cada membro do Grupo com anônimas trajetórias alheias, as mais confiáveis para interrogar nossa história de espelho partido. Talvez, mais do que sinuosos, sejam subterrâneos, já que incorporam, também, muitas vidas andarilhas que, assim como a nossa, alcançou um lugar por querência e por ausência. São vidas também marcadas pelo impedimento que brotam do mundo contemporâneo de guerras, mascaradas pela distância, como se não soubéssemos reconhecer o sofrimento do outro traduzido na angústia cotidiana de assistir o horror que naturalizamos feito um ansiolítico que pudesse salvar a mudez e a dúvida de toda a nossa passividade.

(Cena ‘O Capitão e o Soldado’, no subsolo do Espaço Redimunho de Teatro – Foto: Katia Kuwabara)

Siete Grande Hotel: A Sociedade das Portas Fechadas apreende os caminhos de vidas esquecidas que ousaram e ousam percorrer o mundo contraditório da lembrança pelo esquecimento; mulheres e homens com a mesma sorte dos ventos, reinaugurando e refazendo essa ruína que é a memória, símbolo tão disputado pelos círculos de poder, que não se cansam de desenhar fronteiras com a velha trena de arame farpado. Siete são as muitas árvores decepadas que não se deram conta que a vida, maior que tudo, segue e seguirá fertilizando a esterilidade de alguma esperança. Siete é um desafio ao sorriso sórdido do que há de treva no século XXI, treva que pensávamos soterrada mas germinou sob o signo do equívoco e do medo. Siete armou-se de estética e ética, contra a farsa. Siete, brotado, vem à tona para jorrar.

UM DOS MUITOS PONTOS DE PARTIDA

PRIMAVERA COM GÁS LACRIMOGÊNEO

 

Estávamos no dia 01o. de setembro de 2016, em meio a leituras e estudos de Siete — discutindo Primeiras estórias e A condição humana — imbuídos da esperança que todo auspício de Primavera traz. Ouvimos o primeiro estrondo, ainda distante, e outros e mais outros numa sucessão indefinida que iam pontuando o ritmo de alguma ameaça crescente que se aproximava. Um coral difuso de vozes desenhava um som de multidão. As sirenes e bombas que se seguiram terminaram por confirmar que à porta do Espaço Redimunho onde estudávamos confluíam o protesto pacífico de estudantes perseguidos pela polícia militar que tentava dispersá-lo. O barulho já alcançava a rapidez e potência de onda, quando abrimos a porta e nos deparamos, na rua — a Álvaro de Carvalho, próxima ao Anhangabaú — com um cenário de correria, marcado pelas sirenes das viaturas e das bombas disparadas, colhendo os gritos de quem procurava, com urgência, proteção e abrigo entre nós, a primeira porta aberta que encontraram entre tantas outras interditadas com a cega rapidez do medo. Primavera com gás lacrimogêneo: um verso elegíaco nos escancarando a realidade enquanto o Redimunho acolhia os manifestantes desgarrados com uma fala entre o choro e a tosse, meninas e meninos cumprimentando-se numa doação de máscaras e vinagre: símbolo repetido de uma fraternidade que não se cansa. Quem pode desautorizar o discurso artístico que sempre nos deu a primeira interrogação, o primeiro espelho e a primeira arma? Siete nos mostrava sua primeira face, não a do embate entre um coro de reivindicações e as forças que a oprimem, mas a cara larga onde se inscrevem as interrogações e os oráculos dos nossos dias.

É difícil falar sem experiência, mas também não é mais fácil fazê-lo com o vivido à flor da pele: ambos exigem um tempo equilibrado entre o distanciamento e a urgência: distanciamento para compor a forma, e urgência para fomentar a coragem. Mas “Somos que vamos” nos lembra sempre o João de não se pegar. Daquela primeira porta aberta fizemos sete vezes sete até rodopiar o último parafuso e costurar o milésimo botão de cada engrenagem cênica, de cada palavra dramatúrgica, de cada borra de café, vestígio último da fala que nos dá alento. Lá fora, aqui dentro. Portão, portinholas, portais amplos e estreitos, alguns de transposição necessária, outros de terceira margem mesmo, de beiras de estradas, rios de curso perdido, de sede tomada gota a gota com afinco, ditos assim, em ritmo de canção, pra que não sejam esquecidos. “Trouxeste a chave?”

 

UCRÔNIMOS

(QUERIDXS, PORQUE EM ALGUM DELES DORMES OU ACORDAS)

 

Siete abençoa e amaldiçoa o tempo, este nosso tempo, porque celebrar a vida é a conjugação primeira de ter os pés sobre o mundo, mas fazê-la sob condições tão adversas requer o exercício de esconjuros e exorcismos práticos, uma ordem de palavras e gestos frente à instabilidade das nuvens. De que outra forma as apascentar?

Os que conhecem os extremos da chegada e da partida sabem como chegamos até aqui. A geografia do teatro, assim como o sertão, é pasto que carece de fecho. Por isso estão fechadas, mas não trancadas a sociedade de portas de Siete Grande Hotel. São esculpidas. Melhor, foram treinadas em solipsismos, hermenêutica, anamnese, reminiscência, ontologia… esses seres paramentados de letras que escapam pela saliva de cada personagem em seu último ou primeiro dia, vale dizer, em sua eternidade. Que ninguém se preocupe. O concierge guiará a todos entre ladrões de santos e os mais lindo ratos do mundo. Quem já se perguntou sobre aqueles que tecem as bandeiras? Há também o encontro de hálitos difusos, soprados na lucidez tão calma de soldados agonizantes. Cozinheiros e seus banquetes de balangandãs, sim! A banda eterna de ritmo eterno e seus músicos de um exu veludo a contrapelo. Mágicos, primos em 3º. grau de Deus. E o amor, essa fera de penhascos que aceita toda cor com a qual desejamos pintá-lo: abismos que se beijam-envenenam com fé.

Aqui entregamos, uma vez mais, outro pedaço da travessia do agora. Sejam todos bem-vindos, e infinitos, neste nosso Siete Grande Hotel.

 

SINOPSE REDUZIDA

Em ‘Siete Grande Hotel: A Sociedade das Portas Fechadas‘, ao mesmo tempo em que uma ocupação artística revela uma ocupação real, por meio de sete jornadas que se entrelaçam em lugares

inusitados, breves narrativas interrogam o mundo contemporâneo com suas belezas, guerras, violências, migrações e esperanças.

SIETE GRANDE HOTEL: A Sociedade das Portas Fechadas
 
SINOPSE REDUZIDA:
Em ‘Siete Grande Hotel: A Sociedade das Portas Fechadas‘, ao mesmo tempo em que uma ocupação artística revela uma ocupação real, por meio de sete jornadas que se entrelaçam em lugares inusitados, breves narrativas interrogam o mundo contemporâneo com suas belezas, guerras, violências, migrações e esperanças. Com o Grupo Redimunho de Investigação Teatral
 
ESTREIA 10 DE SETEMBRO DE 2017, ÀS 19H
Temporada de 10 de Setembro a 18 de Dezembro
Domingos, às 19h e Segundas-feiras, às 20h
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) | R$ 5 para moradores do entorno
120 min. 14 anos. 30 lugares.
Ingressos Limitados – Reservas pelo telefone: 9.7541.7077
 
O espetáculo têm inicio no Espaço Redimunho de Teatro, localizado na Rua Álvaro de Carvalho, 75, no Anhangabaú e o segundo ato acontece nos porões do Hotel Cambridge, parceiro do Grupo nesse novo projeto.
 
Espaço Redimunho de Teatro
Rua Álvaro de Carvalho, 75, Anhangabaú / SP.
Próxima a estação Anhangabaú do Metrô. Tel: 3101-9645 Estacionamento ao lado
 
 

 
 
Grupo Redimunho de Investigação Teatral
Rua Álvaro de Carvalho, 75, Anhangabaú.

Espaço Redimunho de Teatro Rua Álvaro de Carvalho, 75, Anhangabaú / SP. Próxima a estação Anhangabaú do Metrô. Tel: 3101-9645 Estacionamento ao lado

www.gruporedimunho.com.br

https://www.facebook.com/gruporedimunho

(Banda no Espaço Redimunho de Teatro, início do espetáculo – Foto: Katia Kuwabara)

Ficha Técnica:

Texto e Direção: Rudifran Pompeu | Elenco: Edmilson Cordeiro Cortez, Carlos Mendes, Giovanna Galdi, Keyth Pracanico, Jandilson Vieira, Vitor Rodrá, Anisio Clementino,

Ana Luisa Aun, Danilo Amaral, Cinira Augusto, Drica Zangrande, Laís Blanco, Ricardo Saldaña, Tati Takiyama, Danilo Mora, Juliana Lopes, Wilton Andrade

Direção Musical: Luis Aranha / Cantora convidada: Neide Nell Preparação Vocal: Ana Terra Ikeda | Iluminação: Rudifran Pompeu

Figurinos: Jandilson Vieira e Keyth Pracanico | Cenografia: Rudifran Pompeu e Grupo | Fotografia: Kátia Kuwabara Videos: Fuzuê Filmes (Edu Luz e Cibele Appes)

Programação visual e site: Danilo Amaral | Pesquisa e consultoria literária: Ivan Forneron

Produção e comunicação: Rafael Ferro

Realização: Grupo Redimunho de Investigação Teatral

Projeto contemplado pelo Programa Municipal de Fomento ao Teatro Para a Cidade de São Paulo

(O ator Carlos Mendes, em cena nos porões do Hotel Cambridge – Foto: Katia Kuwabara)

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PARCERIA GRUPO REDIMUNHO E OCUPAÇÃO HOTEL CAMBRIDGE

“É verdade que você foi obrigado

a andar no coração da ferida

para intuir a poesia?

Então aguente. Beije a cicatriz.

Não chore pela água que se desviou do leito.

O destino do rio é continuar a ser rio.”

(Issam Ahmad Issa – Era o hotel Cambridge)

Em São Paulo, Cambridge era o nome de um hotel, hoje reorganizado como modelo de ocupação popular pelo MSTC (Movimento dos Sem Teto do Centro). No novo Cambridge vemos o exercício de uma cidadania dificilmente alcançada em qualquer outro condomínio da cidade, cidadania traduzida no convívio de congoleses, palestinos, colombianos e brasileiros provenientes de diversas regiões do país. Entre eles, um dado em comum: 170 famílias partilhando do sonho por moradia na cidade de São Paulo.

Recentemente parte da história de luta do MSTC foi transformado em filme pela cineasta Eliane Caffé. O filme Era o hotel Cambridge (2016), mostra, andar por andar do antigo hotel de 15 andares, fundado na década de 50, o cotidiano e o histórico dos seus atuais moradores que são, na verdade, uma metáfora muito poderosa dos nossos dias com seus fluxos migratórios e a adaptação daqueles que alcançaram outras geografias — territoriais, de costumes, ou de linguagem — e formam como nenhum outro um grupo que nos fornece uma das mais lúcidas leitura do contemporâneo. Uma ocupação do mundo propriamente, com línguas que são músicas entoadas no eco de um canto polifônico de resistência reordenando o mundo. Uma esperança que se organiza com luta e disciplina. Uma demonstração da realidade conflituosa, mas também reveladora de uma harmonia tal, que a dor, o desterro e o exílio se diluem sob o teto dessa Nova Cambrige.

Numa parceria generosa o MSTC cedeu parte de suas dependências para que o Grupo Redimunho realizasse uma ocupação artística em que são representadas partes do novo espetáculo do Grupo, Siete Grande Hotel: A Sociedade das Portas Fechadas. Vizinhos há já alguns anos, e com atuações importantes no campo político e artístico da cidade, tanto o Movimento como o Grupo de teatro, sem que houvesse qualquer ideia de colaboração programada, ganharam como um presente do tempo essa encruzilhada em que suas travessias dialogam e se fortalecem.

O nome Cambridge, em sua origem, é a junção de Cam (afluente do rio Gran Ouse) + bridge (ponte); uma ponte sobre o rio que atravessa a cidade, a cidade de Cambridge, no Reino Unido. Se “o destino do rio é continuar a ser rio” como nos lembra o verso citado pelo palestino Issam, suas águas margeiam o novo Cambridge e o próprio Redimunho com Siete Grande Hotel, pedaços e símbolos de outras tantas ocupações pelo país e pelo mundo com suas políticas de luta e construções artísticas.  (Ivan Forneron, pesquisar e consultor literário do Grupo Redimunho)

 

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Cronologia da Pesquisa Continuada do Grupo Redimunho de Investigação Teatral

2003 – Formação do primeiro núcleo do Grupo Redimunho de Investigação Teatral – Primeiros encontros, discussões e estudos.

2004 e 2005 – Início da pesquisa sobre a obra e o universo de João Guimarães Rosa. Criação da dramaturgia de A CASA, primeiro espetáculo do grupo.

2006 – Ocupação artística do Casarão da Escola Paulista de Restauro, no centro de São Paulo, no bairro do Bixiga. Ensaios e estreia do espetáculo A CASA. No 2º semestre o Grupo é contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo, o que permite a continuidade de sua pesquisa, aprofundando a construção de sua linguagem. A CASA recebe o prêmio APCA de melhor texto nesse mesmo ano.

2007 – Ainda em cartaz com a peça A CASA, o grupo inicia as pesquisas para o novo espetáculo VESPERAIS NAS JANELAS, e é contemplado, pela segunda vez, pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo.

2008 – O grupo viaja ao sertão mineiro para realizar pesquisas de campo e finalizar o processo criativo de VESPERAIS NAS JANELAS. A estreia e a temporada do espetáculo permanece no Casarão da Escola Paulista de Restauro, ininterruptamente, por mais de um ano. Com VESPERAIS NAS JANELAS o Redimunho é contemplado pela Editora Globo com o prêmio de melhor direção teatral. Iniciam-se os primeiros esboços do próximo projeto do grupo: MARULHO: O CAMINHO DO RIO… No final do ano, o Redimunho é contemplado pelo Programa de Ação Cultural (PROAC) para circulação e difusão do espetáculo A CASA, realizando apresentações pelo interior paulista, no início de 2009.

2009 – Ainda em cartaz com VESPERAIS NAS JANELAS, o grupo volta em cartaz com o espetáculo A CASA. Ambos espetáculos encerram sua temporada no mês de setembro para início da pesquisa de MARULHO, projeto também contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo. Em novembro desse ano, uma nova viagem de pesquisa é programada ao sertão mineiro: Cordisburgo, Andrequicé, os rios De-janeiro e São Francisco estão no roteiro de investigação do novo processo. Nesse ano, o Redimunho é contemplado pelo Programa de Ação Cultural (PROAC) para realização e montagem de espetáculo inédito, MARIA-MEMÓRIA, concebido a partir dos exercícios cotiadianos de linguagem cênica e dramaturgia do Grupo, espetáculo de pequeno formato que ficou em cartaz na cidade de São Paulo para, depois, seguir viagem pelo interior paulista.

2010 – Nesse ano o Grupo construiu e reformou sua nova sede, o Espaço Redimunho de Teatro, localizado à rua Álvaro de Carvalho – 75, na região do Anhangabaú, centro de São Paulo e, ao mesmo tempo, finalizou a construção artística e dramatúrgica do novo espetáculo por meio dos ensaios que alcançaram sua primeira mostra pública de pesquisa de MARULHO, em setembro.

2011 – Em 15 de janeiro desse ano, estreia o espetáculo MARULHO: O CAMINHO DO RIO…, que ficou em cartaz durante todo o ano, sendo contemplado pelos Prêmios APCA de Melhor Texto, Prêmio de Melhor Ocupação de Espaço da Cooperativa Paulista de Teatro e indicado ao Prêmio Shell de Teatro de melhor Direção Musical. Nesse mesmo ano o Grupo é contemplado, uma vez mais, pela Lei de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, assegurando a continuidade da pesquisa do projeto: “Não precisa sobrar nada! O ator criador e a dramaturgia em movimento”.

2012 – Esse ano foi inteiramente dedicado a estudos, debates e aprofundamentos sobre nosso próprio trabalho e o contexto ao qual ele está inserido. E, dessa forma, finalizamos essa pesquisa com o lançamento e a publicação do livro “Por Trás das Vidraças”, em uma grande festa no Espaço Redimunho de Teatro. O livro foi distribuido gratuitamente e consta em bibliotecas municipais, escolas de teatro e arte, institutos, associações, entre outros. No segundo semestre desse ano, o Redimunho é contemplado pela Lei de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo com o projeto intitulado “Por detrás das vidraças”, para continuar o trabalho desenvolvido há quase 10 anos.

2013 – Ano dedicado à construção de uma nova pesquisa, de um novo espetáculo. A idea foi a de dar continuidade ao trabalho de investigação acerca da “dramaturgia em movimento”, objetivando a interferência no espaço público, tratando de seus efeitos e de suas causas, criando um trabalho de relação direta na cidade, no qual pudéssemos interferir, não só geograficamente, mas também interiormente no imaginário do cidadão urbano, usando, como ponto de partida, a figura feminina ‘ocultada’ na obra Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa, traçando um paralelo entre a mítica da mulher roseana em contraponto com a mulher vivente dos grandes centros urbanos. O que nos moveu a sair de nosso “conforto” estético foi justamente a necessidade de aproximação com o lugar público, dando continuidade à nossa pesquisa dramatúrgica, que se movimenta e se propõe a repensar seus caminhos constantemente, criando rupturas que possibilitem uma profunda reflexão acerca do nosso papel como artistas que pesquisam o universo campeiro, mas que, na contramão, habitam uma megalópole como a cidade de São Paulo. Sentimos as dificuldades de tal proposta. Porém, sempre nos interessou criar e responder a questões que nos permitissem avançar, mesmo que isso significasse quebrar paradigmas, suscitando novas e instigantes provocações, trazendo, inclusive, a possibilidade da (des)construção de um discurso poético que há muito vínhamos construindo. Foi assim que chegamos à estreia, no mês de dezembro, do espetáculo TAREIAS: DO OUTRO LADO DO VIDRO VERDE HÁ UM MUNDO QUE NÃO SE VÊ.

2014 – 2015 – TAREIAS teve duas temporadas na capital paulista. A primeira, em 2013 e, a segunda, em 2015, além de viajar por cidades do interior paulista em 2014. O espetáculo rompe as fronteiras da sede do grupo e se alça às ruas do Vale do Anhangabaú numa espécie de pesquisa arqueológica dos espaços ociosos e esquecidos da cidade, propondo sua ocupação. Mais de 50 pessoas estiveram envolvidas ao longo do trabalho. TAREIAS incorporava em sua apresentação uma exposição de imagens de artistas plásticas engajadas no movimento feminista, vistas pelo público durante o percurso do espetáculo. Bem recebido pelo público, TAREIAS causou impacto urbano, social e político nas localidades utilizadas em seu percurso. Estabeleceu parcerias com os bares da região, sindicatos e estabelecimentos do entorno para a realização do espetáculo. São eles os responsáveis pela sessão de pontos de energia para a iluminação das cenas. O espetáculo foi motivador de um trabalho de aproximação e ressocialização realizado com as crianças e adolescentes em situação de rua no Largo da Memória e promoveu, ainda, ações de encontros e oficinas com mulheres frequentadoras dos Centros de Atendimento à Mulher, em parceria com a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres. De acordo com a GCM local, TAREIAS foi responsável pela diminuição e desarticulação de pequenas quadrilhas de assaltantes no entorno do Anhangabaú, muito por causa da ação cênica e de movimento de nosso trabalho que transcorria à noite naquela região.

O processo de TAREIAS, bem como sua dramaturgia, foram publicados pelo Redimunho em dezembro de 2015. TAREIAS: ATRÁS DO VIDRO VERDE TEM UM MUNDO QUE NÃO SE VÊ… recebeu os prêmios de melhor espetáculo de rua e melhor elenco pelo Prêmio CPT da Cooperativa Paulista de Teatro, em 2013. Atuaram no espetáculo 20 atores, mais 10 colaboradores técnicos que ajudaram em sua montagem e logística que realizavam intervenções na forma de cortejo cênico no centro de São Paulo.

2016 – 2017 – Pesquisa, montagem e estreia de SIETE GRANDE HOTEL: A Sociedade das Portas Fechadas (Mais infos em breve)

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