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Festa Literária das Periferias reúne grandes nomes da literatura nacional e internacional, no Vidigal

FLUP chega à sexta edição com homenagem ao ator e dramaturgo Vianinha

Os becos e ladeiras da comunidade do Vidigal ganharão seis dias totalmente dedicados à literatura em novembro, de 10 a 15, na ONG Horizonte. A favela na Avenida Niemeyer será palco da sexta edição da FLUP, Festa Literária das Periferias, que receberá mais de 40 de escritores nacionais e estrangeiros para discutir temas relacionados às revoluções – entre elas as sexuais, científicas ou da internet. O grande homenageado será o ator, dramaturgo e revolucionário Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. O evento é aberto ao público e gratuito.

Com o objetivo de promover o debate, produzir e ampliar o poder da leitura, a FLUP apresentará a curadoria mais ambiciosa de sua história, com grandes nomes da literatura brasileira e internacional, tais como Sam Bourcier, transgênero, escritor e ativista; Saul Williams, poeta, músico, ator e maior nome do Spoken Word mundial; Paolo Gerbaudo, sociólogo e jornalista referência mundial nos estudos sobre a relação entre populismo e redes sociais; além de Renato Aragão (Didi), que falará esobre sua relação e ativismo com as crianças com mediação de Rodrigo Fonseca. O evento contará com 10 mesas e painéis, 12 poetas estrangeiros e 12 poetas nacionais, além de oficinas, performances, saraus e lançamento de livro.

“Em todas as edições da FLUP, tivemos um conteúdo literário extremamente relevante e debates de altíssimo nível, mas em 2017 essa curadoria está ainda mais especial. Conseguimos reunir nomes de grande relevância e temas super importantes na atualidade”, destaca Écio Salles, um dos diretores da FLUP.

FLUP 2017

A abertura da FLUP 2017, no dia 10 de novembro, será marcada por uma revoada de balões estampados com um texto de Vianinha. A partir das 17h, a equipe do fotógrafo JR receberá os moradores da favela para as fotografias que farão parte da cenografia do galpão da Horizonte, onde acontecerá o festival. Nessa mesma hora, atores do Nós do Morro começarão a fazer performances poético-teatrais com base na biografia de Vianinha, ao longo do caminho que leva à FLUP. Vianinha voltará a ser lembrado na conferência magna da FLUP, na qual o cineasta Cacá Diegues falará da relação dialética entre a obra do autor de “Rasga Coração”, seus filmes e o Nós do Morro, de onde saíram dois cineastas para dirigir episódios de “Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos”. Em seguida, o ator Osmar Prado fará a leitura de um trecho da primeira temporada de Grande Família, da qual também participarão os atores do Nós do Morro. A noite de abertura terminará com o SarALL da Língua Portuguesa, que reunirá poetas e slammers lusófonos convidados pela FLUP.

No sábado, dia 11, a atriz Natalia Lage abrirá as atividades com a leitura de uma adaptação do livro “Identidade”, de Felipe Munhoz. Após esse momento, a mesa “A Revolução que não Fizemos” reunirá o jornalista Leonardo Sakamoto e o advogado Tiago Muniz para debater o trabalho infantil e as diversas modalidades de escravidão contemporânea. Em seguida, Laurent Cantet, cineasta e vencedor da Palma de Ouro, se juntará a Paulo Lins, autor do clássico Cidade Deus, com mediação de Rodrigo Fonseca. Os três vão discutir a forma que a periferia é retratada no cinema e literatura sobre o “olhar estrangeiro”. Após essa mesa, os convidados poderão assistir à primeira etapa classificatória do RIO POETRY SLAM, campeonato internacional de poesia falada e a primeira fase classificatória do FLUP SLAM BNDES. Ainda nesse dia, Eugênio Lima mediará o debate entre Mathias Crochon, rapper conhecido como Rockin’ Squat, e Genival Oliveira Gonçalves, o Gog, cantor e escritor brasileiro, no debate sobre como o rap amplifica a voz das periferias em todas as grandes cidades do planeta e como ele serviu de suporte para uma das maiores revoluções poéticas do mundo. No encerramento da noite, terá a primeira fase do SLAM BNDES, no casarão do grupo Nós do Morro.

No domingo à tarde, a FLUP promoverá um debate bem atual sobre as revoluções, eleições e o fascismo na era das grandes redes. Na mesa, Paolo Gerbaudo, referência mundial nos estudos sobre o populismo e as redes sociais; e Fábio Malini, professor da Universidade do Espírito Santo, conhecido como o “cartógrafo” das redes sociais, falarão sobre o tema com mediação do jornalista Kenzo Soares. Logo após, haverá mais uma etapa do RIO POETRY SLAM. No segundo painel do dia, a antropóloga francesa Françoise Vergès, e a pesquisadora e mestre em filosofia política Djamila Ribeiro debaterão o racismo por um viés feminista. O dia se encerrará com mais uma etapa classificatória do RIO POETRY SLAM, ainda no Galpão da ONG Horizonte, e duas etapas classificatórias do FLUP SLAM BNDES, essas últimas no casarão do Nós do Morro.

Já na segunda-feira, dia 13, as ações começarão com a FLUP Parque, uma gincana literária que contará com a produção de um tapete de sal, um desfile de carnaval e uma batalha de pipas envolvendo a memória de cinco localidades do Vidigal, principalmente aquelas que tiveram maior participação no processo de resistência às remoções. Na única mesa do dia, criadores e diretores de festivais e eventos artísticos no Brasil vão debater as nefastas interferências da crise política, econômica e moral na cultura brasileira contemporânea. Nesse dia acontecerão as semifinais do Rio Poetry SLAM e a entrega do Prêmio Carolina Maria de Jesus para cinco pessoas que tiveram suas vidas mudadas pela literatura. À noite, no casarão do Nós do Morro acontecerá as semifinais do FLUP SLAM BNDES.

Na terça-feira, a FLUP Parque também dará o pontapé inicial nas atividades do dia. Na sequência terá o primeiro painel do dia com Saul Williams, o maior nome Spoken Word mundial, que falará sobre a importância dos poetas negros e as suas variadas formas de poesia. O dia seguirá com um dos maiores nomes do humor brasileiro, Renato Aragão. O eterno Didi falará sobre sua relação com as crianças, que acabou o levando a se tornar o primeiro brasileiro embaixador da Unicef. Após esses dois painéis, será exibido o filme “SLAM: Voz de Levante”, documentário dirigido por Tatiana Lohman e Roberta Estrela Dalva, curadora do Rio Poetry Slam e do FLUP Slam BNDES. A final do FLUP SLAM BNDES encerrará o dia, no casarão do grupo Nós do Morro.

A edição de 2017 da FLUP começará o último dia, quarta-feira, dia 15, com o escritor e ativista queer Sam Bourcier, que se reunirá com a arquiteta e blogueira brasileira Charô Nunes para discutir a globalização da ameaça às liberdades individuais e à vida de tudo o que foge ao padrão. Em seguida, Saul Williams fará uma performance de encerramento e posteriormente haverá a final do RIO POETRY SLAM.

“A FLUP atingiu a maturidade como festival literário justamente no momento em que está mais crítica a situação econômica e política do país”, destaca Julio Ludemir, que criou e dirige a FLUP com Ecio Salles. “Já não somos vistos como mais um projeto social na favela, mas como uma plataforma para debater as grandes questões contemporâneas, que no nosso entender é a missão de um festival, principalmente se ele acontece na periferia.”

FLUP 2017 possui toda estrutura de acessibilidade para portadores de necessidades especiais – acesso a cadeirantes, tradução em libras e assentos exclusivos. A organização do evento também se preocupa com a redução de impacto ambiental, fazendo a coleta seletiva de lixo e a neutralização de todo carbono gerado. Nessa edição, a FLUP atingirá a marca de três mil mudas plantadas.

Ao longo de cinco anos, o evento reuniu mais de 500 autores nacionais e internacionais e teve um público médio de 20 mil pessoas, se contabilizadas todas as ações organizadas pela FLUP ao longo do ano.

Mais do que um evento pontual

Além do evento anual, o festival é precedido por dois processos formativos cuja culminância acontecerá no Vidigal: a FLUP Pensa e a FLUP Parque. A FLUPPensa, que já publicou 14 títulos ao longo de cinco edições, terminará o ano de 2017 com mais três títulos – Seis Temas à Procura de um Poema, Cidade de Deus 50 anos e Se Segura Malandro, respectivamente uma coletânea de poemas, uma coletânea de histórias em quadrinho sobre a história da favela homônima e uma coletânea de narrativas curtas inspiradas na obra de Bezerra da Silva. A FLUP Pensa também organizou o Laboratório de Narrativas Negras para Audiovisual, que chegará ao fim de um processo formativo de quatro meses com debate com o cineasta francês Laurent Cantet. O outro processo da FLUP é a FLUP Parque, que pela primeira vez proporá um diálogo da comunidade visitada. Na edição do Vidigal, as crianças e adolescentes de cinco localidades da favela contarão a história de sua comunidade por intermédio de tapetes de sal, grafites, fotos e esquetes teatrais. Uma dessas atividades terá a parceria do fotógrafo francês JR, cujo resultado será estampado em lambes na parede da favela. Vik Muniz, que tem um ateliê no alto do Vidigal, também é parceiro da Gincana da Memória.

FLUP é apresentada pelo Ministério da Cultura e BNDES, tem patrocínio do Itaú e apoio da Fundação Ford. Realização ACEC – Associação Cultural de Estudos Contemporâneos, Ministério da Cultura, Governo Federal, Ordem e Progresso.

Sobre a FLUP:

Idealizada por Ecio Salles e Julio Ludemir, a FLUP foi criada em 2012 com o objetivo de ser um espaço de formação de novos leitores e autores nas periferias das grandes cidades brasileiras. Em 2017, chega a sua 6ª edição propondo um diálogo com a ideia de revoluções – uma explícita homenagem ao centenário da Revolução Russa e ao cinquentenário de Maio de 1968. Mais um processo do que um evento, a Festa Literária das Periferias inicia suas atividades em maio, com uma sequência de encontros, visando à produção de uma coletânea de poemas e uma de narrativas curtas. A culminância deles será em novembro, em um evento de seis dias no Vidigal. Em 2012, a FLUP ganhou o Prêmio Faz Diferença do Jornal O Globo e, em 2016, o Excellence Awards da London Book Fair e Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro.

Programação:

10 de Novembro – Sexta-feira

Vila Olímpica

9h – Futebol FLUP

Praça do Vidigal

 12h – Revoada de Balões

Galpão da ONG Horizonte

19h – Abertura Solene

19h30 – Vianinha, o elo perdido – Cacá Diegues

20h – “Recadão” com Osmar Prado e Nós do Morro

22h – SarALL

11 de Novembro – Sábado

Galpão da ONG Horizonte

14h – A Revolução que não fizemos

Leitura dos trechos do romance “Identidades” de Felipe Munhoz com a atriz Natália Lage

Leonardo Sakamoto e Tiago Muniz Cavalcanti, com mediação de Lisa Castro

16h – Agora por nós mesmos

Laurent Cantet e Paulo Lins, com mediação de Rodrigo Fonseca

18h – Rio Poetry Slam – Chave A

19h30 – Revolução Através da Palavra

Rockin’ Squat e Gog, com mediação de Eugênio Lima

Casarão Nós do Morro

22h – FLUP Slam BNDES – Chave A

12 de Novembro – Domingo

Galpão de ONG Horizonte

14h – Hegemonia 2.0 – Revoluções, eleições e fascismo na era das grandes redes

Paolo Gerbaudo e Fabio Malini, com mediação de Kenzo Soares

16h – Rio Poetry SLAM – Chave B

18h – Ventre negro

Françoise Vergès e Djamila Ribeiro, com mediação de Manoel Soares

20h – Rio Poetry SLAM Chave C

Casarão Nós do Morro

22h – FLUP Slam BNDES – Chaves B e C

13 de Novembro – Segunda-feira

Rua Nova

13h – FLUP Parque

13h – Encontro de pipas

13h30 – Confecção do tapete de serragem

15h – Grafite

15h – Exposição fotográfica

Galpão da Horizonte

16h30 – Rio Poetry SLAM – Semifinal 1

18h – Prêmio Carolina de Jesus

18h30 – A encruzilhada dos fazedores

Afonso Borges, Jailson de Souza, Marta Porto e Nayse Lopes, com mediação de João Corujão

20h – Rio Poetry SLAM – Semifinal 2

Casarão Nós do Morro

22h – FLUP Slam BNDES – Semifinais

14 de Novembro – Terça-feira

Rua Nova

13h – FLUP Parque

13h – Vidigal é Show!

13h30 – Concurso de poesia

13h45 – Esquetes teatrais “Não sofreu nada, porra!”

14h10 – Quis (Perguntas sobre os 40 anos de resistência contra as remoções de moradores do Vidigal)

Galpão da Horizonte

16h30 – Black poets matters

Saul Williams, com mediação de Roberta Estrela D’Alva

18h30 – Criança feliz

Renato Aragão, com mediação de Rodrigo Fonseca

20h30 – SLAM: Voz de levante

Exibição do documentário de Tatiana Lohman e Roberta Estrela D’Alva

Casarão Nós do Morro

22h – Final do FLUP Slam BNDES

 

 

15 de Novembro – Quarta-feira

Rua Nova

13h – FLUPP Parque

13h – Baile

14h – Desfile carnavalesco

15h30 – Encerramento (Anúncio do vencedor)

Galpão da Horizonte

16h30 – A ameaça que paira sobre todos nós

Sam Bourcier e Charô Nunes, com mediação de Michelle Steinbeck

18h30 – Saul Williams

20h30 – Final do Rio Poetry SLAM

Serviço:

Festa Literária das Periferias (FLUP)

Data: De 10 a 15 de novembro,

Local: ONG Horizonte – Estrada do Vidigal, 75

Horário: 9h às 22h

Facebook: https://www.facebook.com/FlupRJ/

Twitter: https://twitter.com/FlupRJ

Instagram: @fluprj

Site: http://www.flupp.net.br/

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