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Estreia – “A Praia do Mel” – de Felipe Bustamente e direção de Jopa Moraes] Dia 20/11 / às 20:00

A Praia do Mel

Montagem do espetáculo “A Praia do Mel”, com Texto inédito de Felipe Bustamente e direção de Jopa Moraes, toma a cidade do Rio de Janeiro como referência para discutir as incertezas do tempo em que vivemos.

Estreia dia 20 de novembro, no Espaço Armazém – Fundição Progresso – Lapa.

O espetáculo teatral “A Praia do Mel” poderia se passar em qualquer metrópole do mundo, mas é, especificamente, na cidade do Rio de Janeiro que ela se desenvolve. Escrita pelo poeta e dramaturgo Felipe Bustamante, o texto é resultado de diversas situações que colidiram com o autor em andanças pela cidade vendendo seus zines de poesia. Assim, na dramaturgia, esse olhar poético sobre a vida é explorado a partir da perícia de “rueiro” que Felipe desenvolveu para garantir sua sobrevivência na grande cidade.

No centro da ação está o contraste entre dois lugares: a Praia de Copacabana e a Praia do Mel. O primeiro a “Utopia Urbana”, essa paisagem que ilustra  telenovelas e povoa o imaginário que o gringo faz da nossa cultura. Uma praia encurralada por arranha-céus, ao mesmo tempo espaço de comunhão e segregação, de paz interior e extrema violência. Copacabana é uma espécie de sonho possível, é esse “o que tem pra hoje”. E a Praia do Mel é o seu contraponto hipotético, um lugar paradisíaco que ninguém sabe em qual cidade ou planeta se localiza. Uma espécie de reduto dos sonhos que os anos 60 projetaram sobre a humanidade (essa época que parece ter sido a última em que o mundo poderia ter mudado, de maneira fundamental, para melhor). Um lugar que os limites da cidade jamais poderão comportar.

A opção da direção de Jopa Moraes é deixar explicita a artificialidade do teatro como reconstrução da realidade. Uma dessas marcas é o som. Todos os ruídos, músicas e efeitos-sonoros são produzidos e controlados diretamente do palco pelo diretor musical Rodrigo Salvadoretti e pelo elenco. A execução desses efeitos, que nem de longe tem a textura cinematográfica e rica de efeitos pré-gravados comumente usados, gera precariedade. Mas também gera cumplicidade, entre os atores e entre palco e plateia. A ideia é que, ao jogar luz para o caráter fabricado da peça, seja possível perceber também a fabricação dos espaços que se habita na vida cotidiana.

Desse modo, o condutor da história é um astronauta que pousa sua espaçonave na cidade do Rio de Janeiro com o trabalho de observar e registrar os diferentes modos de vida de seus habitantes. Nos raros momentos em que se encontra fora de missão, ele ocupa seu tempo recebendo esmolas dos transeuntes nas calçadas e areias de Copacabana. Em troca, vê o futuro das pessoas na espuma de cerveja. O astronauta se fascina com esses seres que permanecem imersos numa espécie de transe coletivo. Que não conseguem ver além dos blocos de cimento armado que emolduram suas paisagens tropicais. Se diverte quando, aqui e ali, alguns parecem perceber o desconforto, o absurdo disso tudo. Dizendo para si mesmos, “não pode ser só isso”, pressentem a existência de alguma outra realidade. Uma praia além da praia.

Seis atores se desdobram em múltiplos personagens (Chris Igreja, Hikari Amada, Rodrigo Salvadoretti, Samuel Paes de Luna, Thiago Carvalho e Vitor Sampaio) e dão vida a esse local de muitos contrastes. Tomando emprestado de figuras historicamente ligadas à transgressão e à contracultura (Rimbaud, Dylan, Mário de Andrade) e de manifestações culturais típicas do nosso tempo (stand-up comedy, brega pop), o resultado é muito específico: uma loucura demasiadamente brasileira. O espetáculo A Praia do Mel leva essa loucura adiante. Acreditando que ela, de algum modo, irá nos ajudar a compreender porque continuamos conectados à cidade.

Sinopse: Espetáculo que tem cidade do Rio como referência explora a trajetória dos personagens que acreditam em suas próprias convicções e tentam dar significado para sua relação no espaço urbano. Nesse momento em que o Rio parece prestes a entrar em colapso (tanto no âmbito público como no privado), como produzir um retrato coerente do tempo e espaço em que vivemos?

Sobre o autor – FELIPE BUSTAMANTE

É artista de rua.  Trabalha com poesia, teatro e música em intervenções urbanas. Criou o selo editorial Bílis Negra por onde  lançou publicações literárias, que são comercializadas numa distribuição “artesanal” realizada pelo próprio autor durante suas performances pela cidade. Entre os títulos de seus trabalhos mais recentes estão:  “Ricochete” (2015), “ Love is Meu Amor” (2016) e “Tire os Pés de Cima da Minha Consciência Limpa” (2017). “Foi publicado em diversas antologias poéticas, entre elas se destacam “Flanzine” (Portugal) e “ Cadernos do CEP”, com curadoria do poeta Chacal.

Teve mais de 10 textos apresentados publicamente em mostras de dramaturgia, leituras dramatizadas e festivais de teatro. Como ator, integrou o elenco da peça “Shopping and Fucking” (2016), que teve temporada na Fundição Progresso. E “Nada Menos Que Muito” (2015), com temporadas realizadas no teatro Maria Clara Machado e Cemitério de Automóveis (São Paulo).

 

Sobre o diretor – JOPA MORAES

Jopa Moraes é membro da Armazém Companhia de Teatro, onde trabalha como ator, dramaturgo e designer gráfico. Atuou nos espetáculos “O dia que Sam Morreu” (2014-2015 / Coup de Cœur de La Presse, no Festival Off d’Avignon; Fringe First Award, no Edinburgh Fringe Festival; Melhor Estreia de 2014 pela Folha de S. Paulo); “Alice Através do Espelho” (2016 / Remontagem do icônico espetáculo da Armazém Companhia de Teatro, montado originalmente em 1999); “Hamlet” ( 2017 / Cumprindo temporada atualmente no CCBB-RJ). Como dramaturgo escreveu “Inútil a Chuva” (2015 / Espetáculo apresentado em diversas capitais brasileiras).Como diretor e ator trabalhou em “Shopping and Fucking” de Mark Ravenhill ( 2016 / Espetáculo que cumpriu temporada na Fundição Progresso).

SERVIÇOS:

Temporada de 20 de novembro a 20 de dezembro

De segunda a quarta – sempre às 20:00

Armazém Cia de Teatro – Centro Cultural – Fundição

Arcos da Lapa, 24 – Lapa – RJ

Telefone da Bilheteria: 3212-0800

Preço: R$ 40,00 (inteira) R$ 20,00 (meia)

Lotação: 100 lugares

Classificação: 14 anos

Duração: 70 minutos

Gênero: Comédia Dramática

Ficha Técnica

Texto: Felipe Bustamante

Direção: Jopa Moraes

Elenco: Chris Igreja, Hikari Amada, Rodrigo Salvadoretti, Samuel Paes de Luna, Thiago Carvalho, Vitor Sampaio

Figurino: Amanda Rumbelsperger e Jopa Moares

Cenografia: Jopa Moraes

Iluminação: Jopa Moraes

Direção Musical: Rodrigo Salvadoretti

Preparação Corporal: Patrícia Selonk

Fotografias e Vídeos: Nityam fotografia

Assistência de Direção: Pedro Barroso

Assessoria de Imprensa: Duetto Comunicação

Produção: Felipe Bustamante

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