Festivais

20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil chega a sua última semana

Com obras de 50 artistas, provenientes de 25 países distintos, o festival ocupa diversos espaços do Sesc Pompeia até 14 de janeiro

Reunindo obras do Sul Global, o 20º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil encerra sua programação neste domingo (14). Em seu último fim de semana, o festival apresenta uma série de atividades. No sábado (13), às 15h, a curadora Beatriz Lemos e o pesquisador indígena Casé Angatu, da Universidade Estadual de Santa Cruz, conversam com o público no auditório da área de convivência do Sesc Pompeia. Já no domingo, a banda haitiana Satellite Music Band INTL., que integra o projeto Museu do Estrangeiro do artista Ícaro Lira, se apresenta às 18h no deck da unidade.

Em sua vigésima edição, o evento espelha as inúmeras crises que têm desafiado a sociedade contemporânea. Para o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, “o festival, com propostas de artistas provenientes de diferentes nações do Sul geopolítico, situa-se numa encruzilhada na qual o específico e o geral se encontram. Sob essa premissa, o Sesc realiza uma ação cultural afeita a experiências dedicadas a desfazer as amarras herdadas do passado colonial e contraídas de uma condição geopolítica periférica”. Miranda menciona a importância da parceria entre o Sesc e a Associação Cultural Videobrasil que, desde os anos 1990, “possibilita que esses cruzamentos entre as linhas de força locais e internacionais resultem na invenção de outros nós a partir do Sul”.

“Nestes tempos instáveis, quando disputas narrativas se acirram e reordenamentos sociopolíticos locais e globais tornam-se constantes, sempre sob o fantasma permanente de crise – econômica, ecológica ou cultural –, o conjunto de artistas selecionados traz à tona o desejo da arte em ampliar nossas concepções de mundo, englobando o estudo da vida, de nossas origens, da evolução do universo, das dinâmicas de grupos sociais ao longo da história, bem como da invenção de novas formas de fazer político”, afirma Solange Farkas, curadora-geral do Festival e diretora do Videobrasil, entidade que, ao lado do Sesc São Paulo, assina a realização do evento.

“São práticas artísticas que borram as fronteiras entre as ciências e nos levam numa viagem sobre a origem da história, das sociedades e da Terra”, completa Solange.

Mostra

Também focado na representatividade geopolítica da arte, o 20º Festival selecionou, para esta edição, trabalhos de 50 artistas, oriundos de 25 países. Desse total, 15 são brasileiros. Há ainda representantes da América Latina, África, Ásia e do Oriente Médio. Solange Farkas assina a curadoria-geral desta edição, ao lado de quatro curadores convidados: os brasileiros Ana Pato, Beatriz Lemos e Diego Matos, e o português João Laia. Juntos, os curadores analisaram aproximadamente 3.200 trabalhos, inscritos por 2 mil artistas, de 109 países.

A mostra do Festival traz vídeos, pinturas, instalações, esculturas, fotografias, gravuras e até mesmo plantas artificiais que formam um pequeno jardim de aclimatação. São trabalhos diversos que revelam uma multiplicidade de visões de mundo, criadas a partir de uma sociedade que parece pressentir seu próprio fim e, para evitá-lo, recorre a suas origens.

“O espectro de observação do artista ganha alterações diversas de escala diante do lugar que o cerca: dos micro-organismos até o âmbito do cosmos, das ações no campo da micropolítica às mobilizações em massa. As vozes simbolicamente vindas de outros lugares de partida que antes estavam à margem agora procuram qualificar uma nova ordem, diversa ao império moderno, às grandes narrativas históricas que deixaram um legado traumático e ao cientificismo de outra hora que nos fez crer na onipotência do homem e sua tecnologia”, destacam os curadores.

As obras foram organizadas de acordo com seis eixos: Cosmovisões (Origens; Ritos e Cosmogonias; Ciências e Cosmologias); Ecologias (Natureza, Terra e Fungos; Catástrofes, Crises e Novas Consciências); Reinvenção da Cultura (Técnicas, Apropriações e Representações); Políticas de Resistência (Urbanidade, Corpos e Afetos); Histórias Invisíveis (Memória e Micro-história); e, por fim, Outros Modernismos (Outros Espaços e Outras Paisagens).

Expografia

Nessa edição, o Sesc Pompeia reúne todas as atividades do Festival. Antes concentrada na área de Convivência do local, a exposição toma não só este espaço, mas também o Hall do Teatro e as ruas internas – vias que cortam o equipamento cultural e as Oficinas.

O projeto expográfico do 20º Festival é assinado pelo arquiteto André Vainer. A direção de arte, assim como o projeto gráfico da edição, é de autoria de Vitor César, arquiteto e artista que possui um trabalho de pesquisa sobre noções de espaço público em práticas artísticas.

Além da exposição propriamente dita e do programa de vídeo, a programação do 20º Festival conta ainda com Performances, atividades de Programas Públicos (como encontros e conversas com participantes do Festival) e Oficinas, além de ações educacionais para grupos e famílias, coordenadas pela arte-educadora Vera Barros.

Catálogo Enciclopédico 

Com um projeto gráfico que recria elementos tradicionais das enciclopédias, servindo-se não só de textos, mas também de imagens, ilustrações, mapas e gráficos, o catálogo do 20º Festival amplia o contato do público com o contexto e os conceitos articulados pelas obras selecionadas, convidando o público a repensar criticamente as disciplinas e as categorias que vêm normalizando as formas de experimentar e compreender o mundo.

Integrando arte, cultura, astronomia, biologia, história e geografia, de modo a tornar ainda mais evidente o rompimento das fronteiras entre arte e ciência, o catálogo enciclopédico lista, em ordem alfabética, os artistas e suas obras, intercalando-os com outros tipos de verbetes, designados como “palavras-chave”, “países” e “regiões” de origem e residência dos autores – verbetes estes que conceituam o Sul geopolítico e sua produção.

Curadoria

Solange Oliveira Farkas é curadora e diretora da Associação Cultural Videobrasil. Criou o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil em 1983 e foi diretora e curadora-chefe do Museu de Arte Moderna da Bahia entre 2007 e 2010. Participou como curadora convidada da 10ª Bienal de Charjah (Emirados Árabes Unidos, 2011), 16ª Bienal de Cerveira (Portugal, 2011), 5ª Videozone – International Video Art Biennial (Israel, 2010), FUSO – Mostra Anual de Videoarte (Portugal, 2011-2014 e 2017) e 6º Festival Internacional de Vídeo de Jacarta (Indonésia, 2013). Integra o Comitê de Premiação do Prince Claus Fund Award 2017 e o conselho consultivo do espaço de arte Pivô, em São Paulo. Em 2017, foi contemplada com o Montblanc Arts Patronage Award, prêmio da fundação alemã destinado a profissionais com trajetória de destaque no apoio ao desenvolvimento das diversas expressões artísticas e culturais.

Ana Pato é curadora, pesquisadora e doutora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP). Foi curadora-chefe da 3ª Bienal da Bahia (2014) e diretora de projetos da Associação Cultural Videobrasil (2000-2012). É autora do livro Literatura Expandida: arquivo e citação na obra de Dominique Gonzalez-Foerster (2012).

Beatriz Lemos é curadora especializada em artes e redes digitais. Mestra em história social da cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), coordena o selo de publicações Sismos Editorial e é idealizadora da plataforma on-line Lastro. Entre 2015 e 20016, integrou o programa Curador Visitante, da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Diego Matos é pesquisador, professor e curador. É mestre e doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP). Foi assistente de curadoria da 29ª Bienal de São Paulo (2010) e curador assistente do 18º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil (2013). Entre 2014 e 2016, coordenou o Núcleo de Arquivo e Pesquisa da Associação Cultural Videobrasil.

João Laia é escritor e curador. Realizou curadorias para instituições como Moderna Museet, Estocolmo; Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, Lisboa; Videoex, Zurique; Delfina Foundation e Whitechapel Gallery, ambas em Londres; e Parque Lage, Rio de Janeiro. Contribui para veículos internacionais como Frieze, Mousse, Flash Art, Terremoto e Público.

Histórico

Criado em 1983 por Solange Farkas, sua curadora-geral desde então, o Festival passou a ser realizado em parceria com o Sesc São Paulo em 1992, o que possibilitou sua expansão e internacionalização. Foi nesse momento que a curadoria do Festival definiu seu foco em torno do Sul geopolítico, assumindo esse recorte como condição para a seleção de artistas e passando a tratar seus contextos diversos e complexos.

O Festival consolidou-se ao longo dos anos como uma plataforma diversificada e múltipla voltada para a difusão, o fomento e a reflexão em torno da produção artística do Sul global, que compreende América Latina, Caribe, África, Oriente Médio, Oceania e alguns países da Europa e da Ásia.

A parceria entre o Sesc São Paulo e o Videobrasil viabiliza ainda a itinerância do Festival para outras cidades do Brasil, além de publicações sobre cultura e arte contemporânea.

PROGRAMAÇÃO

Exposição PANORAMAS DO SUL 

SESC POMPEIA CONVIVÊNCIA | HALL DO TEATRO | RUAS INTERNAS | OFICINAS 

Em cartaz até 14 de janeiro de 2018
Terça a sábado, das 10h às 21h30
Domingos, das 10h às 19h30

Programação completa:
festivalsescvideobrasil.org.br

13 JANEIRO | SÁBADO 

15h | ESPAÇO EXPOSITIVO + AUDITÓRIO

Aula aberta com visita guiada com curador

Cosmovisões | Beatriz Lemos 

Convidado | Casé Angatu

14 JANEIRO | DOMINGO

18h | DECK

Apresentação da banda Satellite Music Band INTL (Haiti), integrante do Museu do Estrangeiro, obra de Ícaro Lira

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